A Neuroftalmologia é uma subespecialidade da Oftalmologia que investiga alterações visuais relacionadas ao nervo óptico, às vias visuais, aos nervos cranianos e às estruturas neurológicas envolvidas no controle dos movimentos dos olhos e das pupilas. Em alguns pacientes, uma manifestação ocular pode ser um dos primeiros sinais de uma doença neurológica ou sistêmica.
Por essa razão, determinados sintomas merecem uma investigação cuidadosa. Visão dupla de início súbito, perda visual sem causa ocular evidente, alterações inesperadas das pupilas ou mudanças na movimentação dos olhos são exemplos de situações em que a avaliação neuroftalmológica pode ser necessária.
Especialização em Neuroftalmologia
Dra. Marcela Barreira realizou sua especialização em Neuroftalmologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP). Essa formação representa um importante singularidade em sua trajetória profissional.
Sendo assim, as especializações da Dra. Marcela Barreira em Oftalmopediatria, Estrabismo e Neuroftalmologia permitem um olhar global sobre alterações da visão, do alinhamento e dos movimentos oculares, sobretudo diante de quadros em que é necessário investigar se as condições que se manifestam nos olhos podem ter origem ou relação com o sistema nervoso.
Neuroftalmologia: um diferencial no tratamento do estrabismo
A formação em Neuroftalmologia representa um diferencial importante na investigação de determinados casos de estrabismo, especialmente quando o desalinhamento ocular pode estar relacionado a alterações neurológicas, como paralisias de nervos cranianos, doenças autoimunes e outras condições que afetam o controle dos movimentos oculares.
Muitos casos de estrabismo na infância estão relacionados ao desenvolvimento visual e ao funcionamento do sistema responsável pelo alinhamento dos olhos. Nos adultos, por outro lado, um desvio ocular de início recente pode estar associado a alterações do sistema nervoso central ou dos nervos responsáveis pelo controle dos músculos extraoculares.
Dessa maneira, a formação em Neuroftalmologia amplia a capacidade de investigação da Dra. Marcela Barreira, especialmente em situações nas quais o estrabismo pode estar relacionado a alterações neurológicas, contribuindo para diagnósticos mais precisos e tratamentos individualizados.


Quais condições podem ser avaliadas e tratadas por um Neuroftalmologista?
Entre os problemas que podem fazer parte da investigação neuroftalmológica estão:
- alterações do nervo óptico, como neurites e neuropatias ópticas;
- perda visual sem causa ocular inicialmente evidente;
- alterações ou perdas do campo visual;
- episódios de perda transitória da visão;
- visão dupla (diplopia);
- alterações dos movimentos oculares;
- paralisias dos nervos responsáveis pela movimentação dos olhos;
- estrabismos relacionados a alterações neurológicas;
- miastenia gravis com manifestações oculares;
- alterações pupilares;
- alterações palpebrais de possível origem neurológica;
- nistagmo e outros movimentos oculares anormais;
- doença oculares relacionadas a problemas da tireoide.
Principais condições e doenças tratadas pelo Neuroftalmologista
Visão dupla
A diplopia, mais conhecida como visão dupla, é uma condição em que a pessoa enxerga duas imagens em vez de uma. Normalmente, a diplopia é um sintoma relacionado a outra condição ou patologia. Entre as principais causas da visão dupla estão doenças neurológicas como aneurismas, acidente vascular cerebral (AVC), problemas na tireoide, tumores cerebrais, entre outras condições.
Entenda melhor a visão dupla nesse artigo https://marcelabarreira.com.br/o-que-e-diplopia
Paralisia de nervos cranianos
A paralisia de nervos cranianos é uma condição na qual os nervos cranianos — que conectam o cérebro a outras partes do corpo, incluindo os olhos — perdem a funcionalidade. Nessa situação, dependendo do nervo craniano afetado, pode ocorrer o estrabismo paralítico. O estrabismo paralítico é aquele em que o desvio do olho acontece quando existe alguma alteração nos nervos que conectam a cabeça ao cérebro. Embora o nervo óptico seja o mais importante para a visão, o sistema visual também depende do bom funcionamento de outros nervos cranianos, como o II, III, IV e VI.
Leia mais sobre o estrabismo paralítico em nosso blog: https://marcelabarreira.com.br/o-que-e-estrabismo-paralitico
Oftalmopatia de Graves
A doença de Graves é a forma mais comum de hipertireoidismo. Uma das consequências da condição é o deslocamento do olho para fora, chamada de proptose, popularmente conhecida como “olho esbugalhado”. A doença de Graves é uma patologia autoimune, sendo o principal tipo de hipertireoidismo. A condição ocorre quando o sistema imunológico ataca a glândula tireoide, sinalizando que é preciso aumentar a produção dos hormônios tireoidianos de forma anormal. A partir disso, surgem os sinais e sintomas, entre eles a oftalmopatia de Graves.
Entre 25% e 50% dos pacientes com doença de Graves desenvolvem a oftalmopatia. A condição pode trazer séries consequências para a visão, bem como costuma piorar a qualidade de vida de forma global.
Saiba mais sobre a Oftalmopatia de Graves no artigo: https://marcelabarreira.com.br/oftalmopatia-de-graves
Miastenia gravis
A miastenia gravis é uma doença autoimune que afeta a comunicação entre os nervos e os músculos, provocando fraqueza muscular que tende a piorar com o esforço e melhorar com o repouso. Na Oftalmologia e, especialmente, na Neuroftalmologia, ela é importante porque os primeiros sintomas podem aparecer justamente nos olhos. Em algumas pessoas, inclusive, a doença permanece restrita aos músculos oculares, quadro chamado de miastenia gravis ocular.
Os sintomas oculares mais característicos são ptose palpebral (pálpebra caída) e diplopia (visão dupla). O desalinhamento dos olhos causado pela fraqueza dos músculos extraoculares pode, inclusive, simular diferentes padrões de estrabismo.
Neurite ótica
A neurite ótica é uma inflamação do nervo óptico, estrutura responsável por transmitir as informações visuais para o cérebro. Em geral, é uma manifestação de uma outra doença. Na maioria dos casos, a neurite ótica está ligada às doenças desmielinizantes, condições autoimunes que prejudicam uma parte da estrutura dos neurônios, chamada de bainha de mielina. Isso afeta os impulsos elétricos que não conseguem chegar aonde deveriam. Dependendo da parte do corpo afetada, surgem as manifestações. Quando o nervo óptico é afetado pode levar à neurite ótica. Para além disso, a doença pode ser o primeiro sintoma da esclerose múltipla em cerca de 20% dos pacientes.
Para se aprofundar na neurite ótica, leia os artigos em nosso blog:
https://marcelabarreira.com.br/o-que-e-neurite-otica
https://marcelabarreira.com.br/neurite-otica-esclerose
https://marcelabarreira.com.br/sinais-e-sintomas-da-neurite-otica
Papiledema
O papiledema é uma doença caracterizada pelo inchaço (edema) do nervo óptico, que conecta o olho ao cérebro. O edema é uma reação a um acúmulo de pressão dentro ou ao redor do cérebro que pode ter várias causas. A causa mais comum de papiledema, especialmente em pacientes com menos de 50 anos, é a hipertensão intracraniana idiopática (HII). Um alerta importante é que o papiledema costuma ser um sinal de alguma outra condição médica que precisa de atenção, como um tumor ou uma hemorragia cerebral.
Descubra quais os sinais e sintomas e como funciona o tratamento no artigo completo: https://marcelabarreira.com.br/o-que-e-papiledema/
Nistagmo
O nistagmo é uma doença ocular rara e pode atingir crianças e adultos. A condição causa tremores rítmicos e incontroláveis no globo ocular. Por esse motivo, os olhos se desviam em todas as direções, resultando em dificuldades visuais importantes. Os olhos podem se desviar para dentro, para fora, para cima e para baixo.
Leia os artigos completos sobre o nistagmo em nosso blog:
https://marcelabarreira.com.br/sinais-e-sintomas-do-nistagmo
https://marcelabarreira.com.br/torcicolo-ocular
https://marcelabarreira.com.br/o-que-e-nistagmo-congenito
https://marcelabarreira.com.br/nistagmo-2
Síndrome de Duane
A síndrome de Duane é uma doença congênita rara que afeta a musculatura ocular e, consequentemente, a movimentação dos olhos. A síndrome faz com que alguns músculos que controlam o globo ocular se contraiam quando não deveriam, o que leva a problemas de visão e à movimentação irregular dos olhos. Normalmente, há presença de estrabismo e desenvolvimento da ambliopia nas crianças. Outra consequência é o desenvolvimento do torcicolo ocular, que afeta muito a qualidade de vida. Para que não evolua para problemas visuais mais graves, a Síndrome de Duane pode ser tratada com cirurgia corretiva.
Saiba mais sobre a síndrome de Duane no nosso blog:
https://marcelabarreira.com.br/sindrome-de-duane
https://marcelabarreira.com.br/o-que-e-sindrome-de-duane
https://marcelabarreira.com.br/sindrome-de-duane-e-uma-forma-rara-de-estrabismo