Os sinais e sintomas da neurite ótica, inflamação que atinge o nervo óptico, podem aparecer repentinamente. Um dos mais característicos é a perda súbita da visão. A neurite ótica também tem associação com a esclerose múltipla, sendo o primeiro sintoma da doença em cerca de 20% dos pacientes.
Além disso, cerca de 50% das pessoas que apresentam uma crise isolada de neurite ótica irão desenvolver a esclerose múltipla dentro de 15 anos.
Para falar um pouco mais sobre os sinais e sintomas da neurite ótica, hoje vamos entrevistar a neuroftalmologista, Dra. Marcela Barreira, que também é oftalmologista infantil e especialista em estrabismo. Atualmente, Dra. Marcela é Chefe do Serviço de Neuroftalmologia do Banco de Olhos de Sorocaba.
O que é neurite ótica
Primeiramente, é importante dizer que a neurite ótica é uma condição que precisa de tratamento adequado. Isso porque pode levar à perda permanente da visão. Agora, vamos conhecer melhor essa patologia.
“A neurite ótica é uma inflamação no nervo óptico, responsável por levar as informações visuais para o cérebro. Portanto, esse nervo é crucial para a visual. Sendo assim, qualquer condição que o afete, pode prejudicar a visão” explica Dra. Marcela.
Sinais e sintomas da neurite ótica
Entre os principais sinais e sintomas da neurite ótica estão:
- Perda aguda da visão de um dos olhos (que pode se agravar em questão de horas ou de dias);
- Dor ao movimentar os olhos;
- Dificuldade para enxergar cores e sensação de luzes piscantes
Neurite ótica é a causa mais comum de perda da visão em jovens adultos
“Acima de tudo, é importante citar que a neurite ótica é a causa mais comum de perda visual aguda em jovens adultos. Além disso, as mulheres são mais afetadas que os homens. Contudo, há outras condições que podem levar a um quadro de inflamação no nervo óptico, como doenças autoimunes, por exemplo”, comenta Dra. Marcela.
Qual médico procurar?
Na presença dos sinais e sintomas da neurite ótica, o ideal é procurar um neuroftalmologista. Trata-se de uma subespecialidade da Oftalmologia, focada nas doenças que atingem o nervo óptico e outras condições ligadas ao sistema nervoso central.
“O diagnóstico da neurite ótica envolve o exame clínico, além de outros testes laboratoriais e exames de imagem. Já o tratamento depende de vários fatores. Geralmente, são usados anti-inflamatórios potentes, como os corticoides, para reduzir a inflamação. De qualquer maneira, a abordagem terapêutica é sempre individualizada”, aponta Dra. Marcela.
Para além do tratamento, é crucial que após um quadro de neurite ótica, o paciente procure um neurologista para uma avaliação completa. “Isso é importante, pois pode ser preciso avaliar se o paciente apresenta também a esclerose múltipla, por exemplo. Hoje, existem testes genéticos que ajudam a fechar o diagnóstico. Sendo assim, o paciente pode iniciar o tratamento para controlar a EM e isso também ajuda a reduzir os episódios de esclerose múltipla”, diz Dra. Marcela.
Quadros de neurite óptica podem se repetir
Infelizmente, após um quadro de neurite ótica, pode ser comum apresentar outros. Estima-se que 3 em cada 10 pacientes que já tiveram um episódio da doença, podem apresentar outro, no mesmo olho, ao longo da vida.
“Outra consequência da neurite ótica em alguns pacientes é o embaçamento da visão quando há aumento da temperatura corporal, seja em um quadro febril ou em situações como atividade física e locais quentes, por exemplo. Isso é chamado de sinal de Uhthoff”, explica Dra. Marcela.
“Por fim, embora a maioria dos pacientes recupere a visão depois de um episódio de neurite ótica, alguns podem apresentar redução da acuidade visual. Adicionalmente, algumas pessoas podem sentir dificuldade para enxergar cores, brilho e nitidez”, encerra a especialista.
Artigo com supervisão – Dra. Marcela Barreira – CRM: 159.117 RQE 47519
Sobre a Dra. Marcela Barreira
A Dra. Marcela Barreira é oftalmologista com atuação especializada em Estrabismo, Cirurgia de Estrabismo e Neuroftalmologia em crianças e adultos. Realizou Fellowship em Oftalmopediatria e Estrabismo na UNIFESP e em Neuroftalmologia na USP. É Chefe do Setor de Neuroftalmologia do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS). Atua também no controle da miopia infantil e no tratamento da ambliopia, com acompanhamento individualizado e baseado em evidências científicas.
Local de atendimento:
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