A hipermetropia em crianças causa dificuldade para enxergar de perto. Contudo, é curioso saber que todas as crianças nascem com algum grau de hipermetropia, que tende a desaparecer ao longo do crescimento.
Hoje, vamos falar um pouco mais sobre a hipermetropia com a ajuda da oftalmologista infantil, Dra. Marcela Barreira, especialista em Estrabismo e Neuroftalmologista.
O que é hipermetropia?
A hipermetropia é um dos erros refrativos, que causa dificuldade para enxergar de perto. Os demais erros refrativos são a miopia, o astigmatismo e a presbiopia.
Portanto, uma pessoa com hipermetropia enxerga bem de longe e sente dificuldade de enxergar de perto.
Afinal, o que é um erro refrativo?
Para entender a hipermetropia, é importante compreender o que é um erro refrativo. Então, vamos lá.
Para enxergarmos com nitidez, a luz que entra nos olhos precisa atingir um ponto específico da retina, popularmente chamada de “fundo do olho”. A esse processo se dá o nome de refração.
A luz entra no olho e passa pelas “lentes naturais”, como a córnea (que tem o maior poder de foco) e o cristalino (que ajusta o foco para perto e para longe), fenômeno chamado de acomodação.
Em pessoas com olhos sem alterações, a luz faz o caminho normal e atinge o ponto exato da retina, resultando em uma visão nítida.
E quando a luz não atinge o ponto certo da retina?
Agora que você já entendeu o que é a refração, vamos falar sobre os erros refrativos. Há pessoas que apresentam alterações anatômicas nos olhos, especialmente na córnea e no cristalino.
Dessa maneira, essas alterações levam ao desvio da luz e isso leva aos erros refrativos. No caso da hipermetropia, o foco da imagem fica atrás da retina.
Então, há dois motivos para o desvio da luz na hipermetropia:
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Olho mais curto do que o normal (causa mais comum)
A hipermetropia costuma ter origem em globos oculares menores que o eixo anteroposterior, ou seja, o trajeto da córnea até a retina. Assim, a lente foca mais longe do que deveria.
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Córnea ou cristalino com pouco poder de convergência
Apesar de ser menos frequente, a hipermetropia pode acontecer em pessoas com uma córnea mais plana ou ainda em pessoas com um cristalino com menor capacidade de refração da luz. Portanto, nesses casos o olho não converte a luz com a intensidade suficiente. Como resultado, o foco também ocorre atrás da retina, afetando a visão de perto.
Hipermetropia em crianças dificulta a visão de perto
Para enxergamos de perto, é preciso um poder maior de convergência. Sendo assim, o cristalino precisa compensar isso por meio da acomodação. Ou seja, ele encurta sua curvatura para aumentar o foco.
Um bom exemplo para entender isso é: imagina que você quer tirar uma foto de uma abelha pousando numa flor. Você pega seu celular e vai ajustando o foco de perto, porém a imagem fica embaçada e você demora algum tempo até conseguir atingir a nitidez. Esse é mais ou menos o processo que os olhos precisam fazer para podermos enxergar de perto.
Contudo, na hipermetropia, devido as alterações anatômicas que já falamos, há um grande esforço para conseguir enxergar.
O que uma pessoa com hipermetropia sente?
O principal sinal da hipermetropia é a dificuldade de enxergar de perto. Todavia, quando a pessoa não usa óculos, o esforço visual pode causar alguns sintomas, como:
- Cansaço visual;
- Dor de cabeça;
- Ardência nos olhos;
- Visão embaçada
Hipermetropia em crianças – Entenda melhor
Acima de tudo, a hipermetropia costuma se desenvolver na infância. Agora, a dificuldade de enxergar de perto que surge após os 40 anos leva o nome de presbiopia. Outra questão é que nos adultos, a dificuldade de enxergar de perto tem relação com a perda da capacidade de acomodação do cristalino.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da hipermetropia é feito por meio dos exames oftalmológicos de rotina. Mesmo em bebês e crianças que ainda não falam, é possível detectar a presença desse erro refrativo.
A boa notícia é que nem todos os casos de hipermetropia precisam de correção por meio de óculos. A razão é que com o passar do tempo, graus baixos de hipermetropia costumam desaparecer.
Dessa maneira, apenas graus mais elevados da hipermetropia têm indicação para o uso de óculos.
Segundo as diretrizes da Associação Americana de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo (AAPOS), o grau de severidade da hipermetropia varia de acordo com a idade.
A razão é que, normalmente, o grau diminui à medida em que a criança cresce, já que os olhos também aumentam de tamanho ao longo dos anos.
Por outro lado, quando o grau é alto, aumenta o risco de desenvolver o estrabismo acomodativo e a ambliopia, principalmente nas crianças que ainda não estão com o sistema visual completo (abaixo dos 7 anos).
O que é um grau alto?
A classificação da AAPOS considera as seguintes medidas do grau para tratamento:
- 12 a 30 meses – grau maior que +4,5
- 2,5 a 4 anos – maior que +4,0 (considerado um fator de risco para ambliopia)
- A partir dos 5 anos- mais de +3,5 dioptrias (considerado um fator de risco de ambliopia)
Hipermetropia, estrabismo e olho preguiçoso têm relação?
Sim! A hipermetropia é a causa do estrabismo acomodativo. Portanto, na medida em que a criança tenta enxergar de perto, o olho se desvia para dentro. Mas, basta colocar os óculos para o alinhamento do eixo ocular.
As crianças com hipermetropia correm mais risco de desenvolver a ambliopia, popularmente conhecida como olho preguiçoso. Por isso, o acompanhamento com um oftalmologista infantil é crucial. O tratamento, nesse caso, é o uso do tampão.
Tem como prevenir a hipermetropia?
A hipermetropia não é uma doença, é resultado de uma alteração anatômica das estruturas, como a córnea e o cristalino. Sendo assim, não existe uma maneira de preveni-la.
Contudo, é crucial cuidar da saúde ocular das crianças, desde o primeiro ano de vida. Para isso, os pais devem procurar um oftalmologista infantil e realizar o acompanhamento do desenvolvimento visual desde cedo.
Dra. Marcela Barreira – CRM: 159.117 RQE 47519
A Dra. Marcela Barreira é oftalmologista, especialista em Estrabismo, Oftalmopediatria e Neuroftalmologia. Atua em São Paulo e dedica sua prática ao diagnóstico e tratamento clínico e cirúrgico do estrabismo em crianças e adultos. O consultório fica em São Paulo, capital. Para mais informações, ligue para (11) 96902 8513
Atualizado em 04.09.2026
Fonte
Arnold RW, Donahue SP, Silbert DI, Longmuir SQ, Bradford GE, Peterseim MMW, Hutchinson AK, O’Neil JW, de Alba Campomanes AG, Pineles SL; AAPOS Vision Screening and Research Committees. AAPOS uniform guidelines for instrument-based pediatric vision screen validation 2021. J AAPOS. 2022 Feb;26(1):1.e1-1.e6. doi: 10.1016/j.jaapos.2021.09.009. Epub 2022 Jan 20. Erratum in: J AAPOS. 2022 Dec;26(6):349. doi: 10.1016/j.jaapos.2022.11.002. PMID: 35066152.


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