O estrabismo é uma condição que se caracteriza pelo desalinhamento do eixo ocular. Ou seja, um dos olhos ou ambos podem se desviar. Normalmente, o estrabismo se desenvolve na infância e pode afetar de 2 a 5% das crianças.
Mas você sabia que o estrabismo pode ser causado por um problema de grau? Um dos principais exemplos é o estrabismo causado pela hipermetropia, também conhecido como estrabismo acomodativo.
Neste artigo, você vai entender de forma clara e completa como isso acontece, quais são os sinais de alerta e qual é o tratamento mais indicado.
O que é estrabismo causado pela hipermetropia?
O estrabismo acomodativo é um tipo de desvio ocular em que o olho se desvia para dentro (em direção ao nariz), principalmente ao tentar focar objetos próximos. Portanto, é um estrabismo classificado como convergente.
Esse tipo de estrabismo está diretamente relacionado à hipermetropia, um erro refrativo que dificulta a visão de perto.
Ou seja: não é um problema nos músculos oculomotores, mas sim uma consequência do esforço visual para enxergar de perto.
O que é hipermetropia?
A hipermetropia é um grau em que o olho precisa fazer mais esforço para enxergar de perto. Isso acontece porque a imagem não é focalizada corretamente na retina.
Na infância, é comum existir um certo grau de hipermetropia — chamado de fisiológico — que tende a diminuir com o crescimento.
No entanto, quando o grau é mais elevado, esse esforço constante pode desencadear problemas, como o estrabismo.
Por que a hipermetropia pode causar estrabismo?
Para entender isso, é importante conhecer um mecanismo natural do olho chamado acomodação.
Quando tentamos enxergar algo de perto:
- o olho precisa “focar” (acomodar)
- ao mesmo tempo, os olhos convergem (viram levemente para dentro)
Em crianças com hipermetropia alta, esse esforço é muito maior. Como consequência:
- a acomodação excessiva estimula também a convergência
- o olho acaba desviando para dentro
Esse é o mecanismo que leva ao estrabismo acomodativo.
Em que idade o problema costuma aparecer?
O estrabismo causado pela hipermetropia geralmente surge na infância, principalmente entre 1 e 3 anos de idade.
Isso acontece porque é justamente nessa fase que a visão está em desenvolvimento e mais sensível a alterações.
Quais são os sinais de alerta?
Os pais devem ficar atentos a alguns sinais importantes:
- Olho que desvia para dentro (principalmente ao olhar de perto)
- Desvio que aparece e desaparece (intermitente)
- Criança que aproxima muito os objetos do rosto
- Dores de cabeça ou cansaço visual
- Fechar um dos olhos para focar
Mesmo que o desvio seja discreto, é fundamental investigar.
Todo grau de hipermetropia causa estrabismo?
Não. A maioria das crianças com hipermetropia não desenvolve estrabismo. O risco é maior quando:
- o grau é alto
- não há correção adequada
- a criança está na fase de desenvolvimento visual
Graus mais elevados aumentam também o risco de ambliopia (olho preguiçoso).
Como é feito o tratamento?
A boa notícia é que o estrabismo acomodativo tem um tratamento bastante eficaz: a correção da hipermetropia com óculos.
Ao corrigir o grau:
- o esforço para focar diminui
- a convergência excessiva desaparece
- os olhos voltam a se alinhar
Na maioria dos casos, isso é suficiente para corrigir o desvio.
Tratamento da ambliopia (quando necessário)
Caso a criança tenha desenvolvido a ambliopia, além dos óculos para corrigir a hipermetropia, será necessário usar o tampão.
Cirurgia (em casos específicos)
Diferente de outros tipos de estrabismo, a cirurgia geralmente não é o primeiro tratamento, sendo indicada apenas quando:
- existe um componente não acomodativo associado
- o desvio persiste mesmo com o uso correto dos óculos
O estrabismo causado pela hipermetropia tem cura?
Na maioria dos casos, sim — especialmente quando diagnosticado precocemente. Com o uso adequado dos óculos e acompanhamento oftalmológico, os olhos podem se manter alinhados e a visão se desenvolve normalmente.
Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença.
Quando procurar um oftalmologista?
Procure avaliação se você notar:
- qualquer desvio ocular após os 3 meses de idade
- desvio do olho para dentro com frequência
- dificuldade visual para enxergar de perto
Quanto mais cedo o tratamento começa, melhores são os resultados.
Conclusão
O estrabismo causado pela hipermetropia é uma condição comum na infância, mas que tem tratamento eficaz e, na maioria dos casos, não exige cirurgia.
Entender a relação entre o grau e o desvio ocular é fundamental para um diagnóstico precoce e para evitar complicações como a ambliopia.
Se houver qualquer suspeita, a avaliação com um oftalmologista é essencial.
Dra. Marcela Barreira é oftalmopediatra, especialista em estrabismo e neuroftalmologista.
O consultório fica em São Paulo, capital.
Para mais informações, ligue para (11) 96902 8513


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