Uso de tampão para ambliopia é um desafio para pais e oftalmopediatras

Uso de tampão para ambliopia é um desafio para pais e oftalmopediatras

O uso do tampão para a ambliopia, mais conhecida como “olho preguiçoso” é um desafio para pais e oftalmopediatras. Afinal, não é fácil fazer com que os pequenos aceitem, de forma tranquila, ficar com um dos olhos tampado por muito tempo.

Por outro lado, o uso do tampão para tratar a ambliopia é uma abordagem essencial para garantir o desenvolvimento da visão binocular.

Uso de tampão para ambliopia é uma missão (quase impossível)

Segundo a oftalmologista infantil, Dra. Marcela Barreira, especialista em estrabismo e Chefe do Setor de Neuroftalmologia do Banco de Olhos de Sorocaba, na maioria dos casos é difícil para os pais fazer com que as crianças usem o tampão. “É uma queixa constante no consultório e isso também nos preocupa. Em contrapartida, é crucial entender que o tampão é um tratamento médico, como outro qualquer. Diante disso, há estratégias que podemos oferecer aos pais para ajudar nessa missão, quase impossível”, comenta a especialista.

Afinal, o que é ambliopia?

A ambliopia pode afetar até 4% das crianças e se desenvolve, exclusivamente, na infância. “O fator determinante para o diagnóstico é a redução da melhor acuidade visual corrigida em um ou em ambos os olhos. Ou seja, a ambliopia acontece quando a visão de um olho é melhor do que a do outro, mesmo corrigindo o estrabismo ou um erro refrativo, por exemplo”, explica Dra. Marcela.

Em relação às causas, temos 3: estrabismo, erros refrativos (miopia, astigmatismo e hipermetropia) e doenças que causam privação do estímulo visual. Entre essas doenças estão o glaucoma e a catarata congênitos, ptose palpebral, entre outros. Todos esses fatores afetam o desenvolvimento da visão, especificamente do olho afetado por uma dessas condições.

Por que é importante usar o tampão para ambliopia

Primeiramente é importante destacar que o desenvolvimento visual acontece durante a infância. Sendo assim, doenças e condições que afetam a visão em crianças podem resultar em problemas imediatos ou em longo prazo.

“No caso da ambliopia, o prejuízo é na visão binocular (a que nos permite enxergar em profundidade). Essa capacidade é crucial, especialmente para exercer certas profissões na vida adulta. Entretanto, na infância também é importante. Em crianças com ambliopia não tratada, por exemplo, podem ocorrer problemas na aprendizagem, coordenação motora, entre outros”, aponta Dra. Marcela.

“A visão binocular se forma quando os olhos captam as imagens, as mandam para o cérebro e o órgão as funde em uma única imagem. Contudo, em crianças com ambliopia, o cérebro ignora a imagem do olho afetado. Essa supressão por tempo prolongado, principalmente durante o período considerado essencial para o desenvolvimento da visão, por volta dos 2 aos 7 anos de idade, pode causar prejuízos irreparáveis ou ainda levar à perda da visão binocular”, alerta Dra. Marcela.

Uso do tampão para ambliopia – O que você precisa saber

“Acima de tudo, o diagnóstico e o tratamento do olho preguiçoso antes dos 7 anos são essenciais para garantir uma visão saudável. Para além disto, vale reforçar que a visão é um dos sentidos mais importantes para o desenvolvimento infantil.  Dessa maneira, mesmo sendo um desafio para os pais, é preciso no uso do tampão para ambliopia”, reforça a oftalmologista infantil.

Quanto tempo dura o uso do tampão para ambliopia

 Bem, o tratamento com o tampão é sempre individualizado e depende de vários fatores. De qualquer maneira, essa definição é do oftalmologista. Durante o tratamento, a criança vai usar o tampão durante algumas horas do dia e este tempo é determinado pelo médico.

Dicas para o uso do tampão para tratar o olho preguiçoso

Promova atividades estimulantes durante o uso do tampão

 Enquanto a criança estiver usando o tampão, os pais devem estimular o olho a trabalhar. Ou seja, promover atividades como pintar, montar quebra-cabeças, brincar com peças de montar, brincar ao ar livre. Além de ajudar o olho “preguiçoso” a funcionar, as brincadeiras tirar o foco da criança no tampão.

Aposte no lúdico

Escolha modelos de tampão com os personagens preferidos da criança. Hoje já é possível encontrar empresas que vendem tampões personalizados. Do mesmo modo, os pais podem aproveitar para contar histórias de piratas e até mesmo usar o tampão junto com a criança por alguns momentos.

Escolha o melhor momento

Para bebês e crianças menores, a dica é colocar o tampão antes de acordá-las. Ainda nesta fase, o uso na escola também costuma ser mais aceitável.

Por outro lado, os maiores têm mais resistência em usar o tampão fora de casa, por vergonha ou medo de que os amigos os julguem. Desta forma, o ideal é estipular o uso durante o período em casa.

Para além do momento certo para colocar o tampão, também é importante mostrar para a criança o tempo de uso. Como em geral os pequenos não têm noção do tempo, os pais podem usar recursos como alarmes no celular, despertadores etc.

Alta do tratamento

O término, ou seja, a alta do uso do tampão para tratar o olho preguiçoso é dada quando a visão do olho afetado melhorou e permaneceu estável durante os meses seguintes ao tratamento. “A criança é acompanhada e passa por consultas regulares ao longo do uso do tampão. Há também uma outra situação em que interrompemos a terapia ao perceber que não houve melhora significativa que justifique a continuidade do tratamento”, aponta a oftalmopediatra.

“Em conclusão, o uso do tampão para tratar o olho preguiçoso pode ser difícil e angustiantes para as famílias. Porém, a terapia garante uma boa visão e o desenvolvimento saudável das crianças. Assim, os pais devem ser aconselhados, orientados e encorajados a perseverar no tratamento”, finaliza Dra. Marcela.

Dra. Marcela Barreira é  oftalmopediatra, especialista em estrabismo e neuroftalmologista. 

 O consultório fica em São Paulo, capital.

Para mais informações, ligue para (11) 3846 02 00

Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695. 

 

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