Traumas e lesões oculares em crianças – O que fazer

Traumas e lesões oculares em crianças – O que fazer

Os traumas e lesões oculares em crianças são mais comuns do que se imagina. Inclusive, quase metade dos acidentes que causam danos aos olhos ocorrem na infância, entre os 2 e 6 anos. Portanto, as crianças pequenas são as que mais estão suscetíveis a acidentes que podem ferir os olhos. Aliás, a capa que ilustra a nossa matéria mostra o perigo de aproximar demais o rosto de PETS, especialmente gatos que possuem garras muito afiadas e podem, com isso, causar ferimentos na córnea da criança.

Segundo a oftalmologista infantil, Dra. Marcela Barreira, que também é especialista em Estrabismo e Chefe do Serviço de Neuroftalmologia do Banco de Olhos de Sorocaba, os traumas e lesões oculares em crianças mais comuns são aqueles causados por objetos pontiagudos, pancadas, boladas, por ataques de animais e por substâncias químicas.

“Primeiramente, é importante saber que o olho fica dentro de uma cavidade óssea que leva o nome de órbita ou cavidade orbitária. A órbita é composta por vários ossos do crânio e da face e serve para proteger o globo ocular. Além disso, a órbita também possui músculos e nervos relacionados à visão”, explica a oftalmologista.

Entretanto, a parte da frente do globo ocular fica exposta e, com isso, mais suscetível a traumas e lesões oculares. “Aliás, uma das principais partes dos olhos que costuma sofrer lesões é a córnea. Um incidente clássico que afeta a córnea é quando a criança brinca com areia, por exemplo. Nesse caso, a criança pode apresentar um arranhão na córnea quando a areia entra nos olhos, por exemplo”, aponta Dra. Marcela.

Além da areia, produtos químicos, objetos pontiagudos, arranhões de animais domésticos, como já foi dito acima, também podem causar traumas e lesões oculares em crianças.

Traumas e lesões oculares em crianças também podem atingir nervo óptico

Em geral, na maioria dos casos, os traumas e lesões oculares em crianças que atingem a parte da frente do globo ocular não costumam ser graves. Naturalmente, há casos mais preocupantes, principalmente quando há perfuração ou ulceração da córnea. Diante disso, sempre é importante consultar um oftalmologista para avaliar a necessidade de tratamento ou acompanhamento da criança, após uma lesões nos olhos.

“Agora, os traumas e lesões oculares em crianças que atingem a parte de trás do globo ocular são mais preocupantes. Normalmente, boladas ou pancadas mais fortes nos olhos podem atingir a retina e nervo óptico. Como são estruturas compostas por células nervosas, as lesões são irreversíveis. O resultado pode ser a perda parcial ou total da visão”, alerta Dra. Marcela.

“De qualquer forma, é crucial procurar um oftalmologista após acidentes oculares, já que as estruturas internas dos olhos só são visíveis durante exames específicos. Ademais, quando há comprometimento da retina e de outras partes dos olhos, o tratamento precisa ser imediato”, reforça a especialista.

Um lembrete importante é que quanto menor a bola, maior o risco de acidentes mais graves. As boladas também podem afetar a parte da frente do olho, causando hemorragias na conjuntiva e hematomas ao redor das pálpebras. Por fim, esportes de luta também aumentam o risco de lesões oculares e é importante orientar a criança a sempre proteger a região da cabeça durante a prática desses esportes.

Perigos ocultos em casa: O que você precisa saber

Quem não ama um PET? Saiba que o Brasil é um dos países com o maior número de animais de estimação. Mas, PET não é brinquedo! Ou seja, cães, gatos, pássaros e coelhos, por exemplo, podem machucar a criança, dependendo do tipo de interação. Por isso, é crucial orientar a criança a nunca aproximar demais o rosto dos animais.

“Acima de tudo, precisamos entender que por mais dócil que seja o animal, são seres irracionais e com comportamento imprevisível.  Ou seja, dependendo do tipo de brincadeira da criança com o PET, ele pode se sentir ameaçado e atacar, seguindo seu instinto de defesa”, comenta Dra. Marcela.

Para além dos PETs, temos as plantas que também podem causar acidentes nos olhos. As plantas com pontas mais finas, espinhos ou ainda as venenosas, também podem levar a lesões oculares.

Outro perigo escondido dentro de casa são os produtos de limpeza, que podem causar queimaduras na córnea, alergias e irritação ocular. Portanto, é mandatório manter esses itens fora do alcance das crianças. Enfim, não podemos deixar de citar alguns brinquedos que também podem causar lesões nos olhos. O ideal é evitar oferecer brinquedos com pontas, àqueles com jatos de água, entre outros.

O que os pais devem fazer 

Como vimos, existem inúmeros tipos de traumas e lesões que podem atingir olhos. “Dessa maneira, cada um deles irá exigir um tipo de conduta. As pancadas e as perfurações são consideradas emergência. Dessa forma, será preciso levar a criança imediatamente a um pronto-socorro”, reforça Dra. Marcela.

Quando o acidente envolve o contato do olho com areia, terra ou produtos químicos, a primeira atitude é lavar os olhos da criança com água de forma abundante e procurar um oftalmologista.

Dicas para prevenir traumas e lesões oculares


“Infelizmente, a criança não consegue diferenciar o que é perigoso do que é apenas uma brincadeira. Por isso, cabe aos pais orientarem seus filhos e supervisionar as atividades do dia a dia para prevenir acidentes domésticos”, finaliza Dra. Marcela.

Dicas para prevenir traumas e lesões oculares

  • Ensine a criança a não colocar o rosto próximo dos animais na hora de brincar;

  • Oriente a criança a não correr com objetos pontiagudos nas mãos;

  • Evite oferecer brinquedos como estilingues, bolinhas de gude, armas com jato de água, espadas e outros objetos semelhantes;

  • Sempre supervisione brincadeiras com lápis, canetas e outros objetos que ofereçam algum risco de acidente ocular;

  • Mantenha produtos químicos fora do alcance da criança, bem como medicamentos em forma de pomadas ou colírios;

  • Opte por plantas sem espinhos, pontas e que não sejam tóxicas;

  • Preste atenção nos móveis com quinas, objetos de decoração pontiagudos etc.

 

Dra. Marcela Barreira é  oftalmopediatra, especialista em estrabismo e neuroftalmologista. 

 O consultório fica em São Paulo, capital.

Para mais informações, ligue para (11) 3266-2768

Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695. 

 

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