Tempo excessivo de tela leva ao aumento de grau da miopia e outros problemas

Tempo excessivo de tela leva ao aumento de grau da miopia e outros problemas

O tempo excessivo de tela, segundo estudos, tem associação direta com aumento do grau de miopia, dores de cabeça e aumento do risco de obesidade, entre outras condições.

Nos últimos anos, o uso de dispositivos digitais — celulares, tablets, computadores — tornou-se parte do cotidiano de crianças e adolescentes. No entanto, uma nova análise abrangente, baseada em estudos publicados entre 2017 e 2025, trouxe um alerta importante. O recado desse estudo é que o tempo excessivo de tela está diretamente associado a uma série de problemas de saúde, tanto oculares quanto sistêmicos.

De acordo com dados desses estudos, as crianças que usam esses dispositivos eletrônicos por mais de 3 horas por dia, apresentam maior prevalência de dores de cabeça, dor nos olhos, sensação de corpo estranho, vermelhidão, cansaço visual e lacrimejamento.

Dentre os dispositivos, o mais prejudicial para a saúde ocular é o celular. Em um estudo com crianças entre 6 e 7 anos, 70% delas relataram sintomas como dores de cabeça, dor nos olhos piscar excessivo, visão borrada, sensação de corpo estranho e coceira nos olhos.

O estudo apontou ainda que os efeitos de longo prazo do uso do celular, por mais de 3 horas por dia, incluíram progressão acelerada da miopia, bem como um aumento de 21% no risco de desenvolver esse erro refrativo.

Miopia em alta: o impacto em longo prazo

Segundo a oftalmologista infantil, Dra. Marcela Barreira, especialista também em Estrabismo e Neuroftalmologista, esses estudos reforçam a urgência na necessidade de alertar pais e responsáveis sobre os prejuízos do excesso de tempo em frente às telas.

“Atualmente, a miopia é altamente prevalente na infância e o uso do celular, por muitas horas, está diretamente ligado ao risco não só do surgimento da miopia, quanto ao aumento do grau. O que nem todo mundo sabe é que graus moderados e altos desse erro refrativo podem resultar em problemas na vida adulta, como descolamento de retina e desenvolvimento de um glaucoma, por exemplo”, alerta Dra. Marcela.

“Para além da miopia, temos os sintomas que prejudicam a qualidade de vida da criança. É comum queixas como as dores de cabeça, cansaço visual, sensação de areia nos olhos, entre outros que o estudo mostrou e que é comum no dia a dia do nosso consultório. Cada vez mais, crianças pequenas apresentam essas manifestações oculares”, acrescenta a especialista.

Excesso de telas também aumenta risco de outras doenças

Adicionalmente aos riscos para a saúde ocular, o excesso de telas aumenta a chance de a criança desenvolver obesidade. O estudo apontou que crianças que passam mais de 3 horas em frente às telas possuem um risco 1,37 maior de se tornarem obesas.

Os pesquisadores também alertaram os pais sobre os prejuízos para o sono, bem como para o aumento do risco de desenvolver transtornos mentais, como ansiedade, sintomas depressivos, irritabilidade de dificuldades de relacionamento.

Como proteger a saúde ocular e sistêmica das crianças

O tempo excessivo de tela é uma realidade na maioria dos lares brasileiros onde moram crianças e adolescentes. Em muitos casos, pode parecer impossível tirar a criança das telas. Mas é preciso!

Veja algumas medidas que podem ajudar a minimizar o risco dos problemas citados acima:

  • Os pais devem limitar o tempo diário de uso das telas, especialmente os celulares. O ideal é que a criança não use mais de 3 horas. Ou melhor, quanto menos tempo de uso, menor será o risco de surgirem problemas oculares e outras condições;

  • A cada 20 minutos, oriente a criança ou adolescente a fazer uma pausa e olhar para algo a 20 pés de distância (aproximadamente 6 metros), por 20 segundos;

  • Procure aumentar o tempo da criança ou adolescente ao ar livre, ou seja, a exposição à luz natural;

  • Lembre-se que crianças menores de 2 anos não devem ser expostas às telas, de maneira alguma. Nessa faixa etária, a televisão pode ser uma boa alternativa, desde que seja por pouco tempo e que a criança fique distante da tela.

Conclusão

O tempo excessivo de tela é uma problema real e vivido por milhares de famílias ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Como a tecnologia faz parte do cotidiano e pode não ser possível proibir o uso dos dispositivos eletrônicos, é importante adotar medidas para reduzir os riscos para a saúde ocular e sistêmica.

“Por fim, também é crucial que os pais levem as crianças regularmente ao Oftalmologista. A identificação precoce de erros refrativos é importante. Para a miopia, por exemplo, já existem métodos que podem controlar o aumento do grau, como lentes especiais e colírios”, finaliza Dra. Marcela.

Dra. Marcela Barreira é  oftalmopediatra, especialista em estrabismo e neuroftalmologista. 

 O consultório fica em São Paulo, capital.

Para mais informações, ligue para (11) 3846 02 00

Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695. 

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