Os sintomas da neurite ótica podem surgir repentinamente, ou seja, de uma hora para outra. Uma das manifestações mais clássicas é a perda súbita da visão em um dos olhos, que piora em questão de horas. O paciente também pode sentir dor ao movimentar os olhos, dificuldade de enxergar cores e sensação de luzes piscantes.
Mas, antes de falarmos mais sobre os sintomas da neurite ótica, é importante entender melhor essa doença, que acomete especialmente pessoas com esclerose múltipla. Aliás, a neurite ótica pode ser o primeiro sintoma da esclerose múltipla em cerca de 20% dos pacientes.
Neurite ótica – O que você precisa saber
Segundo Dra. Marcela Barreira, neuroftalmologista, oftalmologista infantil e especialista em estrabismo, a neurite ótica é uma inflamação que danifica o nervo ótico, responsável por transmitir as informações visuais para o cérebro. “Os principais sintomas da neurite ótica são a perda visual aguda – geralmente unilateral – e dor ao movimentar os olhos. Para além disso, a doença é uma das principais causas de perda visual súbita em adultos jovens”, comenta.
Qual a origem da neurite ótica?
Primeiramente, é importante dizer que a neurite óptica pode ter várias causas. Contudo, em todos os casos existe um único mecanismo central: inflamação e/ou desmielinização do nervo óptico.
“A causa mais comum é a esclerose múltipla, uma doença autoimune que ataca a bainha de mielina do nervo óptico. Essa bainha é como se fosse uma capa de proteção em torno do nervo óptico. Uma vez que ela sofre danos, compromete o funcionamento das células nervosas”, explica Dra. Marcela.

Sendo assim, a esclerose múltipla é a causa mais comum de neurite ótica em adultos jovens. A doença pode ser o primeiro sintoma da EM em 20% dos casos. Mas, estima-se de cerca de 40 a 50% dos pacientes com neurite óptica típica desenvolvem EM ao longo do tempo, especialmente quando a ressonância magnética já mostra lesões cerebrais.
Em outros casos, a neurite ótica pode estar ligadas a outras doenças desmielinizantes, como a neuromielite óptica e a doença associada ao anticorpo anti-MOG (MOGAD). Nesse caso, pode afetar adultos e crianças, causando um inchaço importante no nervo óptico.
Infecções também podem causar neurite ótica
Algumas infecções podem desencadear inflamação direta ou imunomediada do nervo óptico, entre elas:
- Herpes simples;
- Herpes zoster;
- Vírus Epstein-Barr;
- HIV;
- Influenza (inclusive pós-infecção);
- Dengue.
Por fim, a neurite ótica também pode ter como causa outras doenças autoimunes e inflamatórias sistêmicas; uso de certos medicamentos ou substâncias; após vacinas ou ainda pode ser idiopática, ou seja, quando não é possível identificar a origem.
Sintomas da neurite ótica – O que você deve fazer
Acima de tudo, os sintomas da neurite ótica exigem avaliação de um oftalmologista. Atualmente, existe uma subespecialidade – neuroftalmologia – que é dedicada aos cuidados com as doenças que afetam o nervo óptico.
“O paciente deve procurar o médico assim que perceber alterações na visão e dor no olho. Além do exame clínico, podemos solicitar exames laboratoriais e de imagem para confirmar a suspeita. O tratamento pode variar de paciente para paciente, mas em geral é feito com medicamentos que ajudam a controlar a inflamação e a dor”, explica Dra. Marcela.
Prognóstico
Embora a maior parte dos pacientes recupere a visão depois de um episódio de neurite ótica, alguns podem apresentar diminuição da acuidade visual, assim como dificuldades para enxergar cores, brilho e nitidez.
“Outra consequência da neurite ótica em alguns pacientes é o embaçamento da visão quando há aumento da temperatura corporal, seja em um quadro febril ou em situações como atividade física e locais quentes, por exemplo. Por fim, estima-se que cerca de 3 em cada 10 pacientes que já tiveram um episódio de neurite ótica podem apresentar outro, no mesmo olho, ao longo da vida. Mas, no geral, o prognóstico é favorável”, encerra Dra. Marcela.
Dra. Marcela Barreira é oftalmopediatra, especialista em estrabismo e neuroftalmologista.
O consultório fica em São Paulo, capital.
Para mais informações, ligue para (11) 3846 02 00
Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
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