Reoperação do estrabismo – Quando ela é necessária

Reoperação do estrabismo – Quando ela é necessária

A reoperação do estrabismo, ou seja, uma nova cirurgia para corrigir o estrabismo, pode ser necessária em alguns casos.

Para falar mais sobre o assunto e explicar como funciona a reoperação do estrabismo, hoje vamos entrevistar a oftalmopediatra, Dra. Marcela Barreira, especialista em estrabismo e Chefe do Serviço de Neuroftalmologia do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS).

Cirurgia de estrabismo – O que você precisa saber

Atualmente, a cirurgia de estrabismo é o tratamento padrão para corrigir o desalinhamento do eixo ocular. O procedimento é seguro, com ótimo perfil de recuperação, além de solucionar o estrabismo na maioria dos casos.

“Em outras palavras, a maior parte dos pacientes sai da cirurgia com os olhos alinhados. Ademais, é crucial esclarecer que a cirurgia de estrabismo pode ser feita em bebês, crianças, adolescentes, adultos e até mesmo em idosos”, explica Dra. Marcela.

Contudo, em alguns casos, o paciente pode apresentar uma recorrência do desvio ou um novo desvio, que pode exigir a reoperação do estrabismo.

Reoperação do estrabismo é comum?

Segundo um estudo publicado na revista Nature, a taxa de reoperação do estrabismo, após a primeira cirurgia, é de aproximadamente 8% para o desvio divergente (exotropia) e de 15% para o desvio convergente (esotropia). Entretanto, essas taxas de reoperação podem variar de acordo com vários fatores, como demográficos, geográficos, de acesso a serviços de saúde, idade, entre outros.

Conforme Dra. Marcela explica, “a reoperação do estrabismo é algo comum na prática clínica, mas não é um dado tão conhecido da população em geral. Sendo assim, podemos indicar uma nova intervenção cirúrgica em alguns casos. Geralmente, a reoperação pode ser necessária quando há um estrabismo residual ou ainda secundário, por exemplo”, comenta.

Os outros fatores que podem levar à recorrência do estrabismo são idade do paciente, presença de nistagmo, ocorrência de paralisia do nervo craniano, tempo de início do estrabismo, surgimento de um estrabismo secundário, cirurgia em idade mais precoce, presença de doenças como nistagmo e oftalmoplegia.

Adicionalmente, estudos anteriores mostraram que quando a cirurgia ocorre em idade mais precoce, aumenta a probabilidade de reoperação do estrabismo. Outro fator é que o estrabismo convergente infantil tem uma taxa de reoperação mais alta do que o desvio divergente (exotropia).

Estrabismo e desenvolvimento visual – O que você precisa entender

Primeiramente, é muito importante esclarecer que o estrabismo afeta de 2 a 5% das crianças, sendo uma condição que surge na infância, na maioria dos casos. Adicionalmente, é preciso entender que a visão se desenvolve na infância. Portanto, doenças e condições que afetam o sistema visual podem prejudicar o desenvolvimento da visão.

Sendo assim, a cirurgia de estrabismo tem como objetivo corrigir o desvio do olho para permitir o pleno desenvolvimento da visão binocular, evitando o surgimento da ambliopia (olho preguiçoso). Acima de tudo, a cirurgia de estrabismo não é estética, mas sim funcional, pois visa restaurar o alinhamento do eixo ocular.

Dessa forma, independentemente da necessidade de reoperação do estrabismo, a cirurgia é crucial para preservar a visão e garantir que a criança não desenvolva outros problemas, devido ao desvio ocular.

Corpo cresce, olhos idem

Agora, vamos explicar a relação da idade da cirurgia com a necessidade de reoperação. “Na medida em que o corpo cresce, todos os órgãos crescem, como o globo ocular. Portanto, quando operamos um bebê muito pequeno, existem uma chance maior de precisarmos realizar uma reoperação do estrabismo após alguns anos”, aponta Dra. Marcela.

Outro fator que pode demandar a reoperação do estrabismo é o surgimento de erros refrativos, após a primeira intervenção. Finalmente, algumas pessoas apresentam alterações no tônus muscular, ou seja, possuem músculos mais flácidos. Dessa forma, essa característica pode contribuir para o surgimento de um novo estrabismo”, adiciona a especialista.

Reoperação do estrabismo – conclusão

Em síntese, a reoperação do estrabismo é relativamente comum na prática clínica. Sendo assim, existem alguns fatores que podem predizer a necessidade de uma nova cirurgia para corrigir desvios do eixo ocular.

“De qualquer maneira, a avaliação é sempre individual, de acordo com inúmeros fatores e perfil do paciente. O mais importante é entender que a cirurgia é segura, mas precisa ser realizada por um oftalmologista especialista em estrabismo”, finaliza Dra. Marcela.

 

Dra. Marcela Barreira é  oftalmopediatra, especialista em estrabismo e neuroftalmologista. 

 O consultório fica na Vila Nova Conceição, zona sul da cidade de São Paulo.

Para mais informações, ligue para  11 3846 0200

Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695. 

 

 

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