Prematuridade e estrabismo: entenda por que bebês prematuros têm mais risco

Prematuridade e estrabismo: entenda por que bebês prematuros têm mais risco

A relação entre prematuridade e estrabismo é bem estabelecida, já que vários estudos mostram que bebês que nascem antes do tempo correm mais risco de desenvolver desvios oculares.

Um desses estudos, apontou que 16% das crianças que nasceram prematuramente tinham estrabismo aos 10 anos. Já em crianças a termo, a prevalência foi de apenas 3,2%.

Hoje, aproveitando o Novembro Roxo, mês dedicado à prematuridade, vamos falar um pouco mais sobre a prematuridade e estrabismo. Para isso, vamos contar com a colaboração da oftalmologista infantil, Dra. Marcela Barreira, especialista em Estrabismo e Neuroftalmologista.

Por que a prematuridade aumenta o risco de estrabismo?

O desenvolvimento da visão se inicia nas últimas semanas de gestação e só termina por volta dos 7 anos. Portanto, quando o bebê nasce prematuro, existe uma imaturidade maior no sistema visual. Desse modo, os prematuros correm mais risco de apresentar doenças oculares, como o estrabismo.

O bebê prematuro ainda não tem as estruturas oculares totalmente formadas. Isso pode afetar a coordenação dos músculos oculomotores, responsáveis por manter os olhos alinhados.

Retinopatia da Prematuridade (ROP) é outro fator de risco para o estrabismo

Outra doença ocular frequente em prematuros é a Retinopatia da Prematuridade. A ROP é um principais fatores de risco para estrabismo. Mesmo com tratamento, a esse tipo de retinopatia aumenta a chance de o bebê desenvolver o estrabismo e outras doenças oftalmológicas.

Uso de oxigênio na UTI neonatal

Normalmente, a prematuridade exige longos períodos de internação em UTI Neonatal. Além disso, durante a permanência no hospital, o bebê prematuro precisa de suporte respiratório, a oxigenioterapia. Entretanto, o uso prolongado de oxigênio pode prejudicar o desenvolvimento da retina. Sendo assim, há um aumento importante no risco de problemas posteriores à internação, como o estrabismo.

Comprometimento neurológico

Infelizmente, os prematuros correm mais risco de desenvolverem problemas no sistema nervoso central. Entre essas condições estão hemorragias cerebrais e atrasos no desenvolvimento. Juntos, esses dois fatores também aumentam o risco de o bebê desenvolver o estrabismo.

Prematuridade e estrabismo – Quando o desvio ocular pode aparecer?

Em geral, o estrabismo pode aparecer nos primeiros meses de vida ou ao longo da primeira infância. Contudo, nos prematuros, o desvio ocular costuma aparecer entre 1 e 3 anos, especialmente em bebês que tiveram ROP ou ficaram durante muito tempo em cuidados intensivos.

Principais sinais de estrabismo em prematuros

Pais e cuidadores devem estar atentos a sinais como:

  • Olho que desvia para dentro ou para fora;
  • Dificuldade em fixar o olhar;
  • Cabeça inclinada para olhar objetos;
  • Lacrimejamento frequente ou sensibilidade à luz;

Na presença desses sinais, os pais devem procurar um oftalmologista infantil, também conhecido como oftalmopediatra.

Prematuridade e Estrabismo – Como funciona o tratamento

Primeiramente, é importante dizer que a maioria dos estrabismos tem indicação cirúrgica. Ou seja, a correção do desvio consiste em uma cirurgia. Sendo assim, a única exceção é para o estrabismo acomodativo, causado pela hipermetropia.

Esse erro refrativo causa dificuldade de enxergar de perto. Quando a criança força a visão, na tentativa de enxergar, o olho se desvia. Portanto, o uso de óculos para corrigir a hipermetropia é suficiente para alinhar os olhos.

Vale reforçar que o tratamento do estrabismo deve ser feito o quanto antes, especialmente entre os 2 e 5 anos, que é o período mais crítico para o desenvolvimento da visão. Quanto mais cedo for feita a correção, melhor será o resultado.

Adicionalmente, o tratamento do estrabismo é crucial para prevenir o aparecimento do olho preguiçoso, que pode afetar a visão binocular. Leia mais sobre olho preguiçoso aqui.

Acompanhamento regular – Prematuridade e estrabismo

Todos os bebês que nascem prematuros precisam de acompanhamento regular com um oftalmologista infantil ao longo da infância. Entretanto, alguns casos exigem ainda mais atenção, como:

  • Prematuros extremos, que nasceram antes de 32 semanas.
  • Bebês de baixo peso, que nascerem com menos de 1,5 Kg;
  • Bebês que tiveram ROP.

Acima de tudo, ainda que no primeiro exame oftalmológico não tenha qualquer alteração, o acompanhamento deve continuar ao longo da infância, pois o estrabismo pode aparecer mais tarde.

Conclusão: Prematuridade e estrabismo têm relação íntima

Como vimos ao longo do texto, há uma relação íntima entre a prematuridade e estrabismo. Portanto, é crucial que os pais de bebês prematuros tenham a orientação correta da equipe neonatal sobre o acompanhamento com um oftalmologista infantil, desde a maternidade.

 

 

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