A anisometropia é uma condição que se caracteriza pela diferença importante de grau de um erro refrativo entre os dois olhos. Em alguns casos, a pessoa pode apresentar, além do grau diferente, diferentes erros refrativos em cada olho.
O principal problema da anisometropia é que quando não corrigida, pode levar ao desenvolvimento da ambliopia (olho preguiçoso). Nesses casos, a condição leva o nome de ambliopia refrativa.
Para entender melhor a anisometropia e suas consequências para a visão, hoje vamos entrevistar a oftalmologista infantil, Dra. Marcela Barreira, especialista em estrabismo e Chefe do Serviço de Neuroftalmologia do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS).
Anisometropia é uma das principais causas do olho preguiçoso
Apesar do nome diferente, a anisometropia é uma das principais causas da ambliopia (olho preguiçoso). Por esse motivo, é muito importante conhecer melhor a condição. De acordo com estudos, a prevalência da anisometropia pode variar de 3,79% a 21,7% da população em geral.
“Primeiramente, é bom explicar que a maioria das pessoas possui pequenas diferenças de refração de um olho para o outro. Nesses casos, é considerada uma anisometropia fisiológica. Contudo, quando as diferenças são muito grandes, bem como quando há presença de erros refrativos diferentes entre os olhos, a anisometropia torna-se patológica. Isso, por sua vez, pode comprometer a visão binocular, levando ao desenvolvimento da ambliopia em crianças”, explica Dra. Marcela.
Ambliopia Refrativa – O que você precisa saber
De acordo com a oftalmologista infantil, os olhos precisam ter a mesma oportunidade para se desenvolverem adequadamente. Contudo, numa criança com anisometropia, isto não acontece.
“A razão é que o cérebro vai escolher a imagem captada pelo olho mais saudável ou menos afetado pelos erros refrativos. Sendo assim, a imagem captada pelo olho mais afetado ou com mais dificuldade de foco, passa a ser ignorada. Quando esta supressão ocorre por tempo prolongado e de forma constante, instala-se o olho preguiçoso”, conta a especialista.
Caso a ambliopia não seja detectada e tratada na chamada “janela de oportunidade”, que vai dos 2 aos 7 anos, a criança pode perder a visão binocular. Em outras palavras, o cérebro perde a capacidade da fusão das imagens.
A visão binocular é crucial para diversas atividades cotidianas, sendo responsável por vermos em profundidade e em 3D. Desse modo, a perda da visão binocular pode ser um impedimento para exercer algumas profissões, entre outras restrições ao longo da infância, adolescência e vida adulta.
Tipos de anisometropia
Inicialmente, precisamos conhecer quais são os erros refrativos existentes. Vamos lá?
- Miopia – dificuldade de enxergar de longe
- Hipermetropia – dificuldade para enxergar de perto
- Astigmatismo – dificuldade para enxergar de longe e de perto
- Presbiopia (só afeta adultos) – dificuldade de enxergar de perto, especialmente após os 40 anos
Agora, vamos falar um pouco mais sobre os tipos de anisometropia, que variam de acordo com o tipo de erro refrativo presente em cada olho:
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Anisometropia hipermetrópica
- Um olho (ou ambos, em graus diferentes) tem hipermetropia (dificuldade para ver de perto);
- O cérebro pode ter dificuldade em fundir as imagens dos dois olhos por causa da diferença de tamanho das imagens (aniseiconia);
- Mais comum em crianças e com maior risco de ambliopia.
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Anisometropia míopica
- Um olho tem miopia (dificuldade para ver de longe) em grau diferente do outro;
- Geralmente, a fusão da imagem é menos prejudicada do que na anisometropia hipermetrópica, mas pode causar desconforto visual.
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Anisometropia mista
- Um olho é míope e o outro é hipermetrope;
- Esse tipo costuma causar grande dificuldade de adaptação, pois as imagens formadas nos olhos são muito diferentes.
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Anisometropia astigmática
- O astigmatismo é diferente entre os dois olhos.
- Pode ser combinado com miopia ou hipermetropia (ex: um olho com astigmatismo miópico e outro com astigmatismo hipermetrópico).
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Anisometropia axial vs. refrativa
- Axial: diferença no comprimento axial dos olhos (um olho é mais comprido ou mais curto).
- Refrativa: diferença no poder refrativo (córnea ou cristalino com curvaturas diferentes).
Vale lembrar que a anisometropia pode atingir crianças, adolescentes e adultos. Contudo, em crianças a preocupação é maior, já que a condição pode levar ao desenvolvimento da ambliopia, conforme já mencionamos acima.
Como funciona o diagnóstico?
“O diagnóstico da anisometropia costuma ocorrer durantes as consultas de rotina com um oftalmologista infantil, no caso das crianças. Por isso mesmo, é muito importante que os pais levem o bebê em seu primeiro ano de vida para uma avaliação. Contudo, normalmente os erros refrativos ficam mais evidentes quando a criança vai para escola. Sendo assim, o diagnóstico costuma ocorrer mais tardiamente, na idade pré-escolar ou escolar”, aponta Dra. Marcela.
Tratamento principal é o uso de óculos
“O tratamento da anisometropia pode envolver o uso de óculos para corrigir o grau. Em alguns casos, pode ser necessário usar lentes de contato. Ademais, o uso do tampão pode ser crucial para tratar a ambliopia, quando há também esse diagnóstico. Após os 18 anos, é possível optar pela cirurgia refrativa”, comenta a oftalmologista.
Por fim, vale ressaltar a importância do acompanhamento oftalmológico desde o nascimento. Além da anisometropia, há outras condições e doenças oculares que podem interferir no desenvolvimento da visão. Quando conseguimos detectá-las de forma precoce, podemos obter mais sucesso com os tratamentos, já que aproveitamos a neuroplasticidade que é maior na infância”, finaliza Dra. Marcela.
Dra. Marcela Barreira é oftalmopediatra, especialista em estrabismo e neuroftalmologista.
O consultório fica em São Paulo, capital.
Para mais informações, ligue para (11) 3846 02 00
Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
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