Novos tratamentos para a ambliopia – Confira quais são

Novos tratamentos para a ambliopia – Confira quais são

Os novos tratamentos para a ambliopia devem chegar ao Brasil em breve. Alguns já estão disponíveis em países como os Estados Unidos. Outros ainda estão em fase de desenvolvimento. De qualquer maneira, o mais importante é que existe uma perspectiva positiva para a chegada de novos tratamentos para a ambliopia, que possam ser efetivos e mais bem aceitos pelas crianças.

 

Para falar um pouco mais sobre os novos tratamentos para a ambliopia, hoje vamos entrevistar a oftalmologista infantil, Dra. Marcela Barreira, especialista em estrabismo e Chefe do Serviço de Neuroftalmologia do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS).

 

Ambliopia atinge de 2 a 5% das crianças

 

A ambliopia, popularmente conhecida como “olho preguiçoso”, é uma condição que se desenvolve exclusivamente na infância. Em cerca de 50% dos casos, a ambliopia tem ligação com o estrabismo, desvio do eixo ocular. Adicionalmente, erros refrativos e doenças oculares, como catarata e glaucoma congênitos, também podem levar ao desenvolvimento do olho preguiçoso.

 

“A ambliopia ocorre quando um dos olhos não se desenvolve adequadamente, devido à presença de alguma outra condição. No estrabismo, por exemplo, o cérebro ignora a imagem captada pelo olho com o desvio, passando a favorecer a imagem captada pelo olho saudável. Com isso, o desenvolvimento do olho com o estrabismo fica prejudicado”, explica Dra. Marcela.

 

A falta de tratamento da ambliopia pode comprometer o desenvolvimento da visão binocular. Em outras palavras, a criança pode não desenvolver a capacidade de enxergar em 3D e em profundidade. Como resultado, podem surgir dificuldades ao longo do desenvolvimento, principalmente nos estudos. Ademais, na vida adulta podem ocorrer impedimentos para exercer certas profissões, como, por exemplo, a de piloto de avião.

Vale lembrar que a ambliopia também pode ocorrer quando há uma diferença muito grande de grau de um olho para o outro, ou ainda quando a criança apresenta uma doença que priva o olho do estímulo visual. Entre essas doenças estão a catarata e glaucoma congênitos e a ptose palpebral.

 

Tampão é o único tratamento disponível no Brasil

 

Primeiramente, é importante reforçar que no Brasil o único tratamento disponível para a ambliopia é o uso do tampão. “A terapia de oclusão ocular consiste no uso de um tampão no olho saudável, para estimular o desenvolvimento do olho “preguiçoso”. Acima de tudo, é crucial esclarecer que o tampão não trata o estrabismo, nem as demais condições, como erros refrativos, catarata, glaucoma e ptose”, reforça Dra. Marcela.

 

Em outras palavras, essas condições precisam de tratamento específico. O estrabismo, por exemplo, necessita da correção cirúrgica. Para corrigir os erros refrativos, a criança deve usar óculos. Já nas demais condições, como catarata e glaucoma congênitos, são necessários outros tratamentos. Portanto, o tampão é voltado, exclusivamente, para incentivar o desenvolvimento da visão no olho comprometido por outras condições oftalmológicas.

 

Novos tratamentos para a ambliopia – O que há de novo em desenvolvimento

 

Dito isso, vamos falar sobre os novos tratamentos para a ambliopia. Uma das abordagens terapêuticas, ainda em fase de estudos pré-clínicos, é a tetrodotoxina (TTX).

 

“Trata-se de uma neurotoxina cuja ação terapêutica é o bloqueio temporário da função do olho saudável. Dessa maneira, seu uso pode forçar o cérebro a usar o olho amblíope, criando novas conexões com o cérebro. A forma de aplicação é por meio de uma injeção, aplicada diretamente na retina saudável”, comenta Dra. Marcela.

 

Embora em fases iniciais, o uso da substância levou à recuperação completa da resposta visual em todos os modelos animais. Além disso, o que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi o fato da boa resposta, mesmo após a fase crítica do desenvolvimento da visão.

 

Outra pesquisa em andamento, ainda em fases iniciais, consiste em um medicamento de pequena molécula, chamado de Neu-001. O foco desse neuropeptídeo é alterar o mecanismo neuronal envolvido na ambliopia. Leia mais aqui.

 

Treinamento dicóptico usa videogame para tratar ambliopia

 

Uma novidade, que já está disponível em alguns países, é o treinamento dicóptico. De uma maneira mais didática, é uma espécie de videogame em que a criança joga como os dois olhos abertos, enquanto usa óculos especiais, semelhantes aos usados para apreciar um eclipse solar.

 

Sendo assim, esses óculos possuem uma lente azul e a outra vermelha. Durante o uso, a criança assiste a um conteúdo específico, fornecido pela empresa detentora da tecnologia, que funciona como uma espécie de “videogame”.

 

Ao longo do treinamento, o oftalmologista consegue monitorar, remotamente, a posição do eixo visual da criança em tempo real. O aplicativo desfoca o centro da visão do olho dominante, enquanto fornece ao olho preguiçoso uma imagem normal e nítida.

 

“Dessa maneira, ocorre um estímulo visual que obriga o olho amblíope a processar as imagens. Portanto, o treinamento resulta na necessidade de os dois olhos trabalharem juntos, algo fundamental para assegurar o desenvolvimento da visão binocular”, reforça a oftalmologista infantil.

 

Outro tratamento já disponível nos Estados Unidos é o uso de realidade virtual (RV). Por meio de um óculos RV, a criança assiste aos programas favoritos, incentivando os dois olhos a trabalharem juntos.

 

Novos tratamentos para ambliopia focam na neuroplasticidade

 

Enfim, há muitos estudos em andamento para desenvolver novos tratamentos para a ambliopia. Contudo, a maioria deles tem como foco usar a capacidade de o cérebro gerar novas conexões neurais, ou seja, a neuroplasticidade. Ademais, o uso da tecnologia, incluindo a Inteligência Artificial, devem ser os principais tratamentos para a ambliopia nos próximos anos.

 

“Dessa maneira, os resultados que temos acesso mostram que essas terapias funcionam, mesmo depois da fase crítica do desenvolvimento visual. Portanto, até mesmo adultos podem se beneficiar das novas terapias”, comenta Dra. Marcela.

 

Diagnóstico e tratamento precoces são a chave para bons resultados  

 

A ambliopia é uma das principais causas de baixa visão em crianças. Portanto, é crucial realizar o diagnóstico o quanto antes, para que o tratamento possa assegurar o desenvolvimento da visão binocular.

 

“Todas as causas da ambliopia são detectáveis e tratáveis, mas para isso é preciso conscientizar os pais a respeito da importância das consultas oftalmológicas de rotina, desde os primeiros meses de vida. O diagnóstico e o tratamento precoces da ambliopia ainda são a chave para garantir um bom desenvolvimento da visão”, finaliza Dra. Marcela.

 

Dra. Marcela Barreira é  oftalmopediatra, especialista em estrabismo e neuroftalmologista. 

 O consultório fica em São Paulo, capital.

Para mais informações, ligue para (11) 3846 02 00

Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695. 

 

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