O que é hipermetropia? Tem cura? Como é tratada?

O que é hipermetropia? Tem cura? Como é tratada?

A hipermetropia é uma condição ocular que gera a dificuldade de enxergar de perto. Por isso, ler, escrever, mexer no celular, estudar ou enxergar um objeto próximo pode ser bastante difícil para quem tem esse erro refrativo.

Primeiramente, é importante dizer que a maioria das crianças é hipermetrópica ao nascimento (hipermetropia fisiológica).

Contudo, essa situação é corrigida à medida que o olho cresce e se desenvolve. Desse modo, a hipermetropia tende a diminuir e desaparecer na adolescência.

A hipermetropia é comum?

Sim, como você viu, a maioria das crianças apresenta a hipermetropia desde o nascimento. Segundo estudos, mais da metade das pessoas que usa óculos apresenta hipermetropia ou presbiopia (que afeta pessoas com mais de 40 anos).

Assim, a hipermetropia é uma condição em que há diminuição da capacidade de foco a curta distância.

Como é tratada?

Na maior parte dos casos, não é necessário fazer nenhum tratamento. Isso porque, ao longo do tempo, esse erro refrativo é convertido e a criança consegue enxergar de perto, sem necessidade de óculos.

O tratamento é indicado quando o grau da hipermetropia é alto. Segundo as diretrizes da Associação Americana de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo (AAPOS), o grau de severidade da hipermetropia varia de acordo com a idade.

A razão é que, normalmente, o grau diminui à medida em que a criança cresce, já que os olhos também aumentam de tamanho ao longo dos anos.

Por outro lado, quando o grau é alto, aumenta o risco de desenvolver o estrabismo acomodativo e a ambliopia, principalmente nas crianças que ainda não estão com o sistema visual completo (abaixo dos 7 anos).

O que é um grau alto?

A classificação da AAPOS considera as seguintes medidas do grau para tratamento:

  • 12 a 30 meses – grau maior que +4,5
  • 2,5 a 4 anos – maior que +4,0 (considerado um fator de risco para ambliopia)
  • A partir dos 5 anos- mais de +3,5 dioptrias (considerado um fator de risco de ambliopia)

O teste do olhinho detecta esse problema?

Não! O teste do reflexo vermelho é realizado ainda na maternidade e tem como foco as doenças oculares congênitas, como glaucoma, catarata, retinopatia da prematuridade etc. Somente um exame com um oftalmopediatra pode levar ao diagnóstico da hipermetropia ou de qualquer outro erro refrativo.

Como é o tratamento da hipermetropia?

O tratamento da hipermetropia é feito com o uso de óculos. Nas crianças com risco de desenvolver ambliopia, pode ser recomendado pelo oftalmopediatra a terapia de oclusão ocular, mais conhecido como “tampão”.

O objetivo é tampar o olho saudável para o olho afetado pela hipermetropia tenha a chance de se desenvolver.

Vale lembrar que a cirurgia refrativa não é realizada em crianças. Uma opção para crianças maiores e adolescentes é o uso das lentes de contato.

A hipermetropia causa sintomas?

Antes de mais nada, é preciso dizer que a criança não tem noção que sua visão é ruim, pois ela não tem um parâmetro. Além disso, os bebês e as crianças que ainda não falam também não conseguem verbalizar a questão de problemas oculares.

Contudo, nas crianças maiores alguns sinais podem servir de alerta para os pais procurem um oftalmologista infantil.

  • Dor de cabeça após os estudos/escola
  • Desvio do olho para dentro, em direção ao nariz (estrabismo)
  • Dor nos olhos
  • Lacrimejamento constante
  • Queixa de visão embaçada
  • Coceira
  • Piscadas mais frequentes
  • Baixa rendimento escolar
  • Dificuldade em ler e em escrever

Como prevenir a hipermetropia?

Não é possível prevenir a hipermetropia, pois está ligado à anatomia do olho humano. Contudo, é essencial que os pais levem o bebê em seu primeiro ano de vida para uma consulta com um oftalmopediatra.

Durante o exame, o médico pode diagnosticar a hipermetropia e tratar, precocemente, para evitar que a criança desenvolva a ambliopia e o estrabismo.

Dra. Marcela Barreira é oftalmopediatra, especialista em estrabismo.

A médica atende em sua clínica nos Jardins, na cidade de São Paulo.

Para mais informações, ligue para (11) 3266-2768.

17 Comentários

  • Camila Postado 25 de fevereiro de 2026 22:59

    Olá Doutora, pode me tirar uma dúvida?
    Levei minha filha em dezembro para uma profissional o grau da minha filha deu OD +4 e OE +1,75,decidi levar em outra consulta já com os óculos prontos em outra especialidade que indicou a troca das lentes colocando no máximo que foi +5,25 no OD e 2,25 OE achei que aumentou muito e ela não explicou bem o motivo pela troca,pode ser uma boa opção? Minha filha tem 6 anos

    • Dra. Marcela Postado 4 de março de 2026 07:57

      Olá Camila
      O ideal é passar em consulta para uma avaliação. Contudo, o que chama a atenção é a diferença de grau de um olho para o outro. Isso pode causar a ambliopia, quando um olho se desenvolve mais que o outro. Sugiro agendar uma consulta e tirar as dúvidas com o oftalmologista. O tratamento da ambliopia é muito importante e deve ser feito ainda na infância, antes dos 7 anos.

  • Karyne Postado 13 de fevereiro de 2026 20:25

    Doutora, minha filha tem 3 anos e descobri hoje que ela tem hipermetropia em ambos os olhos com +10. O médico recomentou usarmos óculos +5 e ir aumentando gradativamente. Estou meio assustada pois o médico não me explicou direito se tem causa, se pode diminuir com o tempo, ou o que é necessário além disso.

    • Dra. Marcela Postado 20 de fevereiro de 2026 14:05

      Olá Karyne, obrigada pela visita ao nosso site. Realmente o grau é alto, mas o uso dos óculos é crucial para a sua filha enxergar melhor e se desenvolver. O ideal é avaliar se a sua filha desvia o olho para dentro. Isso porque a hipermetropia, quando muito alta, pode levar ao estrabismo convergente. Nesse caso, pode ser preciso usar o tampão, para prevenir a ambliopia.

  • Maiara Cristina Queiroz Bartholomeu Postado 17 de setembro de 2025 22:07

    Olá Dra Marcela, tudo bem?
    Meu fillho tem 2 anos e meio e foi diagnósticado com hipermetropia, em uma consulta de rotina com um oftalmologista pois, ele nunca apresentou nenhum sinal que estava com algum problema na visão.
    O olho esquerdo é menor q o direto, sendo OE + 2.00 e o OD 0.50.
    Ele já esta fazendo o uso do óculos certinho.
    A minha dúvida é: esse problema será para a vida toda dele, ou quando ele ficar maiorzinho desaparece?
    Grata desde já!

    • Dra. Marcela Postado 20 de setembro de 2025 11:21

      Olá Maiara
      A hipermetropia costuma se estabilizar ao longo da infância. Contudo, graus muito diferentes entre os olhos podem levar à ambliopia. Nesses casos, é importante coonsultar um oftalmologista para avaliar o tratamento com o uso de tampão.

  • Hannah Postado 4 de julho de 2025 23:26

    Meu bebê tem 9 meses e levamos ele na Oftalmo, deu + 3,5 em um olho e +4 em outro mas ela não recomendou óculos neste momento. Faz sentido?

    • Dra. Marcela Postado 8 de julho de 2025 14:59

      Olá Hannah. Em bebês, a hipermetropia pode diminuir ao longo da infância. Contudo, a correção pode ser importante para prevenir o surgimento da ambliopia. O ideal é você pedir uma explicação mais profunda para o oftalmologista que consultou a sua criança.

  • Dionatan Postado 21 de março de 2025 14:44

    Boa tarde minha filha de 3 anos tem +5 no olho direito e +3 no esquerdo começamos o tratamento com oculos uso alternao de tampao e tambem terapia para fortalecer a o estimulo da visao. Esse quadro com o passar dos anos pode se reverter ou os grau diminuir?

    • Dra. Marcela Postado 26 de março de 2025 11:46

      Olá Dionatan
      O tratamento com o tampão para a ambliopia, que é o caso da sua filha, é extremamente importante para garantir o desenvolvimento normal da visão binocular. Continue seguindo as recomendações do oftalmologista.

  • Lucas Postado 21 de janeiro de 2025 08:09

    Meu filho tem 1 ano e 6 meses, ontem a médica olhou e disse que ele precisa usar um óculos com 1,5 grau, em ambos os olhos.

    Eu não queria colocar óculos nele bebê de JEITO NENHUM, existe alguma outra coisa que possa ser feita?

    • Dra. Marcela Postado 23 de janeiro de 2025 11:29

      Olá Lucas, não existe nenhuma opção ao óculos. Porém, existem óculos específicos para bebês, que são maleáveis e confortáveis. Lembre-se que a visão se desenvolve na infância e é necessária para o desenvolvimento neuropsicomotor da criança. Portanto, se você optar por não seguir a recomendação do médico, seu bebê pode ter atrasos no desenvolvimento e outros problemas de visão, como a ambliopia (olho preguiçoso), que afeta a visão binocular, impedindo, na idade adulta, por exemplo, de exercer algumas profissões.

  • Joice Postado 10 de janeiro de 2025 07:46

    Minha filha faz dois anos no mês q vem e a alguns meses reparei o olhinho esquerdo dela um pouco torto .Levei no oftalmologista e ela está com hipermetropia.Ela passou um grau enorme sete e meio e oito e meio.isso é normal?

    • Dra. Marcela Postado 13 de janeiro de 2025 15:19

      Olá Joice, algumas crianças podem sim apresentar alto grau de hipermetropia. Nesse caso, precisa fazer acompanhamento frequente para avaliar aumento do grau e outras condições que podem surgir.

  • Katia Postado 27 de junho de 2024 18:24

    Minha filha começou a usar com 6 anos, por forçar mt a vista e dores de cabeça, diagnósticada apenas com 0,75. Ao retornar no medico, o grau aumentou pra 1,25 e o mesmo indicou a exclusão do óculos, mesmo com queixas de dores de cabeças e dificuldades ao enxergar

  • Graziele da Silva Santos Postado 5 de junho de 2024 10:47

    meu filho foi diagnosticado com hipermetropia, mas o médico disse que não seria necessário o uso do óculos, está certo isso ? estou preocupada pois ele está tendo dificuldade na escola. Meu filho tem 6 anos de idade.

    • Dra. Marcela Postado 6 de junho de 2024 10:42

      Olá Graziele

      Depende do grau da hipermetropia. Crianças menores costumam ter hipermetropia e com o passar do tempo, pode desaparecer. Contudo, se ele tem dificuldade para enxergar na escola, é preciso uma nova avaliação para ver se existem outros erros refrativos, como miopia e astigmatismo. Leve ele novamente ao oftalmologista.

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