Estrabismo em crianças – Tire suas dúvidas

Estrabismo em crianças – Tire suas dúvidas

O estrabismo em crianças é o tema da nossa entrevista de hoje, com a oftalmologista infantil Dra. Marcela Barreira, especialista em Estrabismo e Neuroftalmologista.

Confira agora tudo que você precisa saber sobre o estrabismo em crianças.

Dra. Marcela, o que é estrabismo?

O estrabismo é uma condição oftalmológica que se caracteriza pela disfunção da musculatura extraocular, que pode ser congênita ou adquirida. A prevalência gira em torno de 2 a 4% da população infantil.

O estrabismo em crianças é o mais comum, embora também afete adultos. Entretanto, em adultos o desvio do eixo ocular costuma estar associado a doenças neurológicas, vasculares, tumores, entre outras condições. Mas, hoje eu quero falar especialmente o estrabismo em crianças.

Quais os tipos de estrabismo em crianças?

Primeiramente, eu gostaria de falar um pouco mais sobre o funcionamento dos músculos oculomotores. Isso é importante para entendermos melhor o estrabismo. Os movimentos oculares são determinados pelos músculos oculomotores. Cada olho possui 6 músculos oculomotores que controlam os movimentos dos olhos. Podemos imaginar que esses músculos são as “rédeas” de um cavalo, de uma forma que fique mais clara para o público leigo.

O estrabismo ocorre quando há um desequilíbrio no funcionamento desses músculos. Desse modo, o tipo de estrabismo é definido de acordo com qual músculo é afetado.

O estrabismo convergente é aquele em que o olho se desvia para dentro, em direção ao nariz. Esse desvio pode ser congênito ou aparecer nos primeiros anos de vida.

O estrabismo acomodativo também ocorre com o desvio do olho para dentro, sendo, portanto, convergente. Mas, esse é único desvio que não tem indicação cirúrgica. Isso porque é causado pela hipermetropia. Dessa maneira, o uso de óculos é suficiente para alinhar os olhos.

Temos ainda o estrabismo divergente intermitente, que o olho se desvia para fora de vez em quando. Então, ora o olho está alinhado e ora desviado. Por fim, temos o estrabismo vertical e horizontal.

Dra. Marcela, quais são as causas do estrabismo?

Bem, a origem do estrabismo ainda não está totalmente esclarecida. Por outro lado, temos fatores de risco bem estabelecidos, como a prematuridade, baixo peso ao nascer, tabagismo durante a gestação, retinopatia da prematuridade, erros refrativos, síndrome de Down e outras síndromes genéticas.

Dra. Marcela, o estrabismo é uma questão estética ou o desvio do olho pode causar problemas na visão?

Uma das questões mais importantes quando se fala em estrabismo é esclarecer que não se trata de uma condição estética. O desvio do eixo ocular na infância afeta o desenvolvimento da visão, que ocorre fora do útero e se completa até por volta dos 7 anos.

O alinhamento dos olhos é fundamental para desenvolver a visão binocular, capacidade do cérebro de fundir as duas imagens captadas pelos olhos em uma única. Isso é imprescindível para enxergar em profundidade, em 3D e para exercer diversas profissões, por exemplo.

Em crianças com estrabismo, o cérebro passa a ignorar a imagem captada pelo olho com o desvio. Caso isso aconteça por tempo prolongado, no período crítico para o desenvolvimento visual (entre os 2 e 4 anos) pode resultar na perda da visão binocular. Portanto, o estrabismo afeta a função visual, ou seja, não é uma questão estética.

Como funciona o tratamento do estrabismo em crianças?

O tratamento do estrabismo em crianças depende de alguns fatores. O estrabismo convergente congênito, o estrabismo divergente e o estrabismo vertical precisam de correção cirúrgica. Agora, a cirurgia precisa ocorrer antes dos 7 anos de idade, para assegurar o desenvolvimento saudável da visão.

Em alguns casos de estrabismo congênito, a cirurgia pode acontecer ainda no primeiro ano de vida. Já em estrabismos divergentes bem compensados, podemos esperar um pouco mais. Por fim, o estrabismo acomodativo, cuja causa é a hipermetropia, se resolve com o uso de óculos de grau. Raramente usamos a toxina botulínica em crianças, mas é uma opção para pequenos desvios.

Quais os riscos da cirurgia de estrabismo?

Como qualquer cirurgia, a correção de estrabismo também tem riscos. Por outro lado, são mínimos. A cirurgia é muito segura quando realizada por um profissional devidamente especializado em Estrabismo. Além disso, antes da cirurgia, a criança passa por uma consulta com o Anestesiologista, bem como por exames que mostrem que não há nenhuma contraindicação para a operação.

Fale um pouco mais sobre a cirurgia de estrabismo em crianças.

A cirurgia de estrabismo em crianças acontece em ambiente hospitalar. Contudo, a criança vai para casa no mesmo dia. A cirurgia é feita sob anestesia geral, sendo relativamente rápida. A recuperação também é tranquila e a criança pode retomar suas atividades em cerca de uma semana após a cirurgia.

Em geral, a criança não vai sentir dor no pós-operatório. O que pode acontecer é uma sensação de desconforto devido aos pontos, que são absorvidos pelo organismo.

O estrabismo em crianças pode voltar depois da cirurgia?

Sim, o estrabismo pode voltar, mesmo depois de sua correção. Geralmente, a reoperação pode ser necessária quando há um estrabismo residual ou ainda secundário. Os outros fatores que podem levar à recorrência do estrabismo são idade do paciente, presença de nistagmo, ocorrência de paralisia do nervo craniano, tempo de início do estrabismo, surgimento de um estrabismo secundário, cirurgia em idade mais precoce, presença de doenças como nistagmo e oftalmoplegia.

Adicionalmente, temos estudos anteriores que mostraram que quando a cirurgia ocorre em idade mais precoce, aumenta a probabilidade de reoperação do estrabismo.

Dra. Marcela, gostaria de deixar um recado para nossos leitores?

Sim, gostaria de reforçar que a visão é crucial para o desenvolvimento infantil. Por isso, os pais devem procurar uma oftalmologista infantil e levar o bebê em seu primeiro ano de vida para uma consulta de rotina.

Para além disso, caso os pais notem o desvio do olho, em qualquer idade, é crucial procurar um oftalmologista também. Quanto mais cedo tratar o estrabismo em crianças, melhor será o resultado para garantir o desenvolvimento visual.

 

Dra. Marcela Barreira é neuroftalmologista, é oftalmopediatra e especialista em estrabismo. 

 O consultório fica em São Paulo, na região dos Jardins.

Para mais informações, ligue para (11) 3266-2768

 

Matéria produzida pela jornalista

Leda Maria Sangiorgio

MTB 30.714

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