O estrabismo divergente intermitente é uma condição ocular em que um dos olhos se desvia para fora, na direção das orelhas, de vez em quando. Embora seja um dos tipos mais comuns de estrabismo, pode demorar para ser percebido pelos pais.
Segundo a oftalmologista infantil, Dra. Marcela Barreira, especialista em Estrabismo e chefe do Serviço de Neuroftalmologia do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), no estrabismo divergente intermitente o desalinhamento não está sempre presente: a criança pode parecer com os olhos alinhados em alguns momentos e, em outros, um dos olhos desvia para fora.
“Na verdade, o desvio costuma se tornar mais evidente quando a criança está cansada, distraída, doente ou olhando para algo distante — situações em que a capacidade de manter os olhos alinhados fica mais difícil”, conta a oftalmopediatra.
O estrabismo divergente intermitente costuma aparecer por volta dos 2 anos ou mais. Contudo, pode aparecer antes, embora não seja comum.
Sinais e sintomas do estrabismo divergente intermitente
O principal do estrabismo divergente intermitente é o desvio do olho para fora, que pode vir e ir ao longo do tempo. Contudo, algumas crianças podem apresentar outros sintomas e sinais, como:
- Fechar um dos olhos em ambientes com muita luz;
- Dificuldade em perceber profundidade ou distância;
- Visão dupla em alguns casos;
- Preferência por usar um olho mais do que o outro.
Qual a causa do estrabismo divergente intermitente?
Primeiramente, é importante esclarecer que nem sempre é possível identificar a causa do estrabismo divergente intermitente e nem das outras formas de estrabismo. Por outro lado, temos alguns fatores que podem ter relação com esse tipo de desvio. Entre eles estão:
- Histórico familiar de estrabismo;
- Prematuridade e/ou baixo peso ao nascer;
- Tabagismo durante a gestação;
- Doenças neurológicas;
- Retinopatia da prematuridade;
- Outras complicações neonatais.
O que pode acontecer se não tratar o estrabismo divergente intermitente?
“Acima de tudo, é importante que os pais entendam que o estrabismo não é uma questão estética. Na verdade, em crianças com estrabismo, o cérebro pode começar a ignorar as imagens vindas do olho desviado. Com o tempo, isso pode levar à ambliopia — o chamado “olho preguiçoso” — em que o cérebro privilegia o olho bom em detrimento do outro”, alerta Dra. Marcela.
“Portanto, se isso acontece na fase crítica do desenvolvimento visual – entre os 2 e 4 anos -, os danos podem ser permanentes. Sendo assim, uma das principais funções do tratamento do estrabismo divergente intermitente é garantir o desenvolvimento adequado da visão binocular, que é essencial para que os dois olhos trabalhem juntos e para que se possa perceber profundidade e estímulos tridimensionais com clareza”, complementa a oftalmologista infantil.
Tratamento do estrabismo divergente intermitente – o que você precisa saber
O tratamento padrão para o estrabismo divergente é a cirurgia de estrabismo. A principal recomendação é fazer o procedimento por volta dos 4 anos e sempre antes dos 7 anos, idade em que o sistema visual está completo. Portanto, a correção precoce é crucial para prevenir a ambliopia e problemas oculares em outras fases da vida.
Além da cirurgia, o oftalmologista pode recomendar outras estratégias complementares, como:
- Uso de óculos especiais, quando há necessidade de correção de erros refrativos, como miopia, astigmatismo ou hipermetropia;
- Tampão ocular para estimular o olho com visão mais fraca, quando há ambliopia associada;
A importância do acompanhamento de crianças com estrabismo
Vale lembrar que toda criança precisa passar em consultas oftalmológicas de rotina desde o nascimento. Caso os pais percebam o desvio do olho para fora ou em outras direções, a recomendação é procurar um oftalmologista infantil.
“Quando a criança possui estrabismo, o acompanhamento ao longo da infância é muito importante, mesmo após a cirurgia. Em alguns casos, o desvio pode aparecer de novo ou a criança pode desenvolver erros refrativos, que irão precisar de tratamento também. Por fim, um recado importante para os pais é que a visão é crucial para o desenvolvimento global da criança. Assim, cuidar da visão deve fazer parte dos cuidados ao longo da infância”, finaliza Dra. Marcela.
Dra. Marcela Barreira é oftalmopediatra, especialista em estrabismo e neuroftalmologista.
O consultório fica em São Paulo, capital.
Para mais informações, ligue para (11) 3846 02 00
Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695.


Adicionar Comentário