Cirurgia refrativa – Por que crianças não são candidatas?

Cirurgia refrativa – Por que crianças não são candidatas?

A cirurgia refrativa é uma cirurgia oftalmológica para corrigir erros refrativos como miopia, astigmatismo e hipermetropia. Contudo, a indicação da cirurgia é apenas para adultos, maiores de 18 anos.

Portanto, crianças e adolescentes não são candidatos ao procedimento. Hoje, vamos entrevistar a oftalmologista infantil, Dra. Marcela Barreira, especialista em Estrabismo e Chefe do Serviço de Neuroftalmologia do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), para entender melhor o porquê a indicação da cirurgia refrativa é apenas para maiores de 18 anos.

Cirurgia Refrativa – Um pouco de história

Primeiramente, é importante entender o contexto da cirurgia refrativa, que começou a ser estudada por volta de 1940. Contudo, foi somente em 1970 que a técnica nasceu, de forma oficial. Já nos anos 80, foi criada a técnica PRK, se consolidando mundialmente nos anos 90, com a criação da técnica LASIK.

Veja abaixo a linha do tempo da Cirurgia Refrativa

“Sem dúvidas, a cirurgia refrativa é um procedimento muito relevante na área da oftalmologia. Muitas pessoas se submetem à cirurgia para correção de erros refrativos e isso traz uma série de benefícios, não só para a visão, como também para a qualidade de vida”, comenta Dra. Marcela.

O que é um erro refrativo?

“Inicialmente, precisamos compreender o que é um erro refrativo. Trata-se de uma anormalidade anatômica na córnea, estrutura que funciona como uma lente natural dos olhos. A luz atinge a córnea para chegar até a retina, fenômeno conhecido como refração. Contudo, algumas pessoas apresentam alterações no formato da córnea. Como resultado, a luz pode ser desviada para outros pontos da retina, afetando assim a visão”, explica Dra. Marcela.

“Os erros refrativos são a miopia (que afeta a visão de longe); o astigmatismo (que afeta a visão de longe e de perto) e a hipermetropia (que afeta a visão de perto). Já a presbiopia afeta a visão de perto, mas está associada ao processo natural do envelhecimento”, adiciona a médica.

Como funciona a cirurgia refrativa

A cirurgia refrativa visa ao remodelamento da córnea, para que a luz siga a trajetória correta até a retina. Com isso, a imagem formada será nítida e vai permitir que a pessoa enxergue muito bem, não necessitando mais de óculos ou de lentes de contato.

Hoje em dia, as principais técnicas usadas são a LASIK, PRK e SMILE. Veja abaixo um resumo de cada uma dessas técnicas.

  • PRK (ceratectomia fotorrefrativa): foi a primeira técnica criada. Consiste na remoção de uma membrana que recobre a córnea, com aplicação do laser que corrige o formato da córnea. A principal indicação é para pessoas que têm uma córnea muito fina.
  • LASIK: É uma técnica menos invasiva em relação à PRK, cuja vantagem é um pós-operatório mais tranquilo. A técnica consiste na abertura de uma aba (chamada de flap) na superfície da córnea, com aplicação do laser e corrige o seu formato.
  • SMILE (Small Incision Lenticule Extraction): Hoje, a SMILE é considerada a técnica mais avançada, pois não exige remoção ou cortes no tecido de proteção da córnea. A incisão é quase imperceptível, com aplicação de um laser especial, chamado de FemtoSecond.

Por que crianças e adolescentes não são candidatos à cirurgia refrativa?

Agora que já entendemos o que são os erros refrativos e como funciona a cirurgia refrativa, vamos descobrir os motivos pelos quais crianças e adolescentes não podem se submeter ao procedimento.

“Acima de tudo, a cirurgia refrativa não pode ser feita em crianças e em adolescentes devido aos olhos estarem em desenvolvimento. Ao longo da infância e da adolescência, o globo ocular cresce, tanto em comprimento como na curvatura da córnea. Por esse motivo, quando há diagnóstico de erros refrativos em crianças, é preciso acompanhá-las de forma regular até por volta dos 18 anos. Ou seja, o grau não fica estável, ele pode aumentar ou diminuir na fase de crescimento”, aponta Dra. Marcela.

“Portanto, a cirurgia refrativa não pode ser feita antes da estabilização da visão, o que ocorre por volta dos 18 anos. Além disso, o tecido ocular em pessoas mais jovens é mais delicado e podem ocorrer respostas cicatriciais e complicações após a cirurgia”, ressalta a oftalmologista.

“Adicionalmente, há outros pré-requisitos para se submeter à cirurgia refrativa. Em outras palavras, não basta ter mais de 18 anos. Normalmente, o grau precisa estar estável a pelo menos um ano. O paciente também precisa ter um estado de saúde bom, sem presença de outras doenças oculares que podem contraindicar a cirurgia”, alerta Dra. Marcela.

Lentes de contato são opção para crianças e adolescentes

Embora crianças e adolescentes não possam passar pela cirurgia refrativa, após os 12 anos de idade é possível trocar os óculos por lentes de contato. “Essa é uma idade em que o nível de entendimento e responsabilidade é maior. Considerando esse fato, podemos prescrever lentes de contato para esse público. Em contrapartida, é crucial que os pais supervisionem o uso das lentes, uma vez que existem vários riscos envolvidos”, diz a médica.

“As lentes de contato exigem uma rigorosa higiene, bem como é preciso respeitar o tempo de uso. A falta de limpeza das lentes e do estojo, bem como o uso por tempo prolongado e o manuseio dos olhos com as mãos sujas são importantes fatores de risco para o desenvolvimento da ceratite, infecção da córnea. Trata-se de uma doença ocular muito grave, que pode levar à perda da visão”, ressalta Dra. Marcela.

“Enfim, o mais importante é tratar os erros refrativos na infância, inicialmente com óculos e mais tarde, quando possível, por meio de lentes de contato. A visão é essencial para o desenvolvimento infantil, bem como para o aprendizado escolar. Após os 18 anos, é possível avaliar se o paciente é candidato à cirurgia refrativa. Em caso positivo, poderá dar adeus aos óculos”, finaliza a oftalmologista.

Dicas para convencer a criança a usar óculos de grau

Para ajudar os papais e as mamães na difícil tarefa de convencimento sobre o uso dos óculos de grau, preparamos um artigo cheio de dicas. Leia mais aqui

Dra. Marcela Barreira é  oftalmopediatra, especialista em estrabismo e neuroftalmologista. 

 O consultório fica em São Paulo, capital.

Para mais informações, ligue para (11) 3846 02 00

Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695. 

 

Adicionar Comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *