Cirurgia de estrabismo melhora qualidade de vida das crianças, aponta estudo

Cirurgia de estrabismo melhora qualidade de vida das crianças, aponta estudo

A cirurgia de estrabismo melhora a qualidade de vida em crianças, independentemente de sexo, idade, uso de óculos ou tipo de estrabismo. Essa foi a conclusão de um recente estudo, publicado Acta Ophthalmologica, em julho de 2025.

O estrabismo é uma condição em que há desvio do eixo ocular. A partir disso, o olho pode se desviar para dentro, para fora, para cima e para baixo. O desvio pode ser constante ou intermitente. A maioria dos casos de estrabismo se desenvolve na infância e atinge de 3 a 5% das crianças. Em adultos, o estrabismo é menos comum, mas pode ocorrer devido a problemas no sistema nervoso central.

Opinião da especialista: Será que a cirurgia de estrabismo melhora a qualidade de vida?

Segundo a oftalmologista infantil, Dra. Marcela Barreira, especialista em Estrabismo e Neuroftalmologista, muitos estudos e evidências já mostram que o estrabismo traz muitos prejuízos psicossociais desde a infância. “Sendo assim, percebemos isso na prática diária, além desse fato já ter sido corroborado por outros estudos. Um desses estudos, por exemplo, apontou que as crianças a partir dos 5 anos de idade já vivenciam os efeitos do desvio ocular em vários aspectos, especialmente nos relacionamentos sociais”, comenta.

“Normalmente, crianças com estrabismo podem ter mais dificuldade na velocidade da leitura, podem ter problemas para realizar cálculos e para desenhar com traços mais precisos. Quando a criança está maior e, especialmente, entrando na adolescência, o estrabismo pode ser motivo de bullying, além de prejudicar a autoestima”, diz Dra. Marcela.

Infelizmente, quando o estrabismo fica sem tratamento na infância, esses prejuízos podem ocorrer na vida adulta, com impactos importantes nos relacionamentos e na vida profissional.

Desconhecimento pode atrasar diagnóstico e tratamento

Primeiramente, é importante esclarecer que o estrabismo é uma condição que a afeta o funcionamento da visão. Sem tratamento, há um risco enorme de a criança desenvolver a ambliopia, mais conhecida como olho preguiçoso. Nesses casos, pode ocorrer um prejuízo importante no desenvolvimento da visão binocular.

“Acima de tudo, o estrabismo não é uma questão estética, já que sua presença afeta o desenvolvimento e o funcionamento da visão. Portanto, é crucial aumentar a conscientização sobre o estrabismo para garantir o desenvolvimento visual das crianças. Dessa forma, a cirurgia de estrabismo é restauradora, já que muda uma condição anormal para normal ou muito próxima do normal”, reforça Dra. Marcela

Cirurgia de estrabismo melhora qualidade de vida em adultos?

Certamente a cirurgia de estrabismo melhora a qualidade de vida em adultos. Além disso, há vários estudos que já mostraram que mesmo na vida adulta, a correção do eixo visual é capaz de melhorar a visão. A correção do desvio ocular em adultos reduz ou elimina sintomas, melhora a capacidade de fusão das imagens, melhora o campo visual, bem como traz ganhos psicossociais importantes”, comenta a oftalmologista.

Cirurgia de estrabismo melhora a qualidade de vida, mas indicação depende do médico

Enfim, como vimos a cirurgia de estrabismo melhora a qualidade de vida das crianças. Por outro lado, a decisão de operar o desvio ocular depende de vários fatores. O estrabismo acomodativo, por exemplo, não tem indicação cirúrgica. O uso de óculos para corrigir a hipermetropia já é suficiente para alinhar os olhos.

“Nos demais tipos de estrabismo comuns na infância, como o estrabismo congênito e o estrabismo intermitente, a cirurgia corrige o desvio e traz os benefícios adicionais. De qualquer maneira, a decisão pela cirurgia deve ser avaliada de maneira individual”, reforça Dra. Marcela.

Por fim, a recomendação é levar o bebê em seu primeiro ano de vida para uma consulta de rotina com um oftalmopediatra. O estrabismo congênito, por exemplo, está presente desde o nascimento e é o tipo de desvio que demanda a maior precocidade no tratamento. Outros desalinhamentos podem aparecer após os 6 meses. Desta forma, sempre que os pais notarem que o bebê ou a criança apresenta algum nível de desalinhamento no eixo visual, devem procurar o oftalmologista”, encerra a especialista.

Dra. Marcela Barreira é  oftalmopediatra, especialista em estrabismo e neuroftalmologista. 

 O consultório fica em São Paulo, capital.

Para mais informações, ligue para (11) 3846 02 00

Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
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