A cirurgia de estrabismo em bebês pode ser necessária, em alguns casos específicos. Ou seja, normalmente a correção do desalinhamento ocular pode ser feita mais tarde, entre os 2 e 4 anos. Mas, nos casos de estrabismo congênito, presente desde o nascimento, pode haver a necessidade de fazer a cirurgia de forma mais precoce.
Para falar mais sobre a cirurgia de estrabismo em bebês, vamos entrevistar a especialista, Dra. Marcela Barreira, oftalmopediatra, especialista em Estrabismo e Chefe do Serviço de Neuroftalmologia do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS).
Tudo sobre o Estrabismo
Primeiramente, é importante esclarecer que estrabismo é o nome dado ao desalinhamento do eixo ocular. Em geral, ocorre na infância e pode afetar de 2 a 5% das crianças. O olho pode se desviar em várias direções. O desvio para dentro, chamado de estrabismo divergente, pode estar presente desde o nascimento, sendo chamado de estrabismo congênito.
“Além disso, o estrabismo convergente pode surgir ao longo da infância, bem como pode ter associação com a hipermetropia. Nesse caso, trata-se do estrabismo acomodativo. Temos ainda o estrabismo vertical, quando o olho se desvia para cima e para baixo. Por fim, um dos estrabismos mais comuns é o estrabismo divergente intermitente. Nesses casos, o olho se desvia para fora, em alguns momentos”, explica Dra. Marcela.
Cirurgia de Estrabismo em bebês visa preservar a visão binocular
Acima de tudo, é importante reforçar que independentemente do tipo de estrabismo, o diagnóstico e o tratamento são cruciais e devem ocorrer antes de a criança completar 7 anos de idade. Dessa maneira, antes dos 7 anos podemos tratar o estrabismo e prevenir prejuízos que podem ser irreversíveis.
“Agora, em relação ao estrabismo congênito, a intervenção precoce tem relação com a tentativa de preservar a visão binocular. Normalmente, as cirurgias podem ocorrer entre 10 e 18 meses. Para além disso, alguns oftalmopediatras decidem corrigir o estrabismo até por volta dos 6 meses de vida, na tentativa de recuperar, mesmo que seja um pouco, a visão binocular”, aponta Dra. Marcela.
Por que a pressa em fazer a cirurgia de estrabismo em bebês?
A precocidade, ou seja, a pressa de fazer a cirurgia de estrabismo em bebês é uma forma do oftalmologista infantil reduzir o risco de desenvolvimento da ambliopia, popularmente conhecida como “olho preguiçoso”. Sendo assim, a correção do desvio pode ajudar na preservação da visão binocular.
Estrabismo divergente em bebês: quando operar
“Por outro lado, o estrabismo divergente intermitente causa menos prejuízos na visão binocular. A razão é que a criança consegue compensar bem o desvio. Em outras palavras, no estrabismo divergente, ora o olho está alinhado, ora desalinhado. Com isso, causa menos danos na visão binocular. Dessa maneira, a cirurgia pode ser feita por volta dos 4 anos”, comenta Dra. Marcela.
Cirurgia de estrabismo em bebês é segura?
Sem dúvidas, um dos principais medos dos pais é em relação à segurança da cirurgia de estrabismo em bebês. “A correção cirúrgica do estrabismo costuma ser tranquila e segura. A cirurgia é feita em centro cirúrgico, sob anestesia local. O bebê vai para casa no mesmo dia, passando apenas algumas horas na observação. Normalmente, o pós-operatório é tranquilo, sem dor importante. O bebê pode sentir um leve incômodo e pode querer coçar os olhos. Mas isso é gerenciável”, aponta Dra. Marcela.
“Acima de tudo, é sempre importante ressaltar que a cirurgia de correção do estrabismo não é estética. O desvio ocular pode levar à perda da visão binocular e prejudica o desenvolvimento visual, que ocorre na infância. Em metade dos casos de olho preguiçoso, a causa é o estrabismo”, finaliza a oftalmopediatra.
Leia mais aqui sobre como funciona a anestesia geral em bebês e crianças.
Lembre-se: Leve seu bebê ainda no primeiro ano de vida para uma consulta com um oftalmopediatra. O exame oftalmológico completo pode detectar não só o estrabismo em bebês, como diversas outras condições visuais típicas da infância.
Dra. Marcela Barreira é oftalmopediatra, especialista em estrabismo e neuroftalmologista.
O consultório fica em São Paulo, capital.
Para mais informações, ligue para (11) 3846 02 00
Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
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