O astigmatismo em crianças aumentou após a pandemia. Para além do aumento dos casos, o astigmatismo se tornou mais grave. Essa foi a conclusão de um estudo publicado recentemente, em março de 2025, no JAMA Ophthalmology. O estudo avaliou cerca de 21 mil crianças, com idades entre 6 e 8 anos, de diferentes partes do mundo, entre 2015 e 2023.
Segundo os pesquisadores, houve um aumento de cerca de 34,7% nos casos de astigmatismo em crianças, entre 2022 e 2023. As causas desse aumento não foram totalmente esclarecidas. Mas, o estudo apontou que a maior prevalência do astigmatismo em crianças pode ter relação com a interação de fatores ambientais, alterações no estilo de vida durante a pandemia e alterações fisiológicas da córnea durante o desenvolvimento da visão.
Astigmatismo em crianças – O que você precisa saber
Segundo a oftalmopediatra Dra. Marcela Barreira, especialista em estrabismo e Chefe do Serviço de Neuroftalmologia do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), o astigmatismo é um erro refrativo que dificulta a visão de perto e de longe. Em geral, pode afetar de 15 a 30% das crianças no primeiro ano de vida. Contudo, na maioria dos casos não há necessidade de correção do grau.
“Primeiramente, é importante explicar que o astigmatismo causa embaçamento e distorção da visão, tanto de longe como de perto. Em geral, o astigmatismo pode acontecer devido ao formato irregular da córnea ou do cristalino. O astigmatismo corneano é resultado de uma córnea mais ovalada, que lembra uma bola de futebol americano”, explica Dra. Marcela.
Portanto, quando a córnea sofre essa alteração em sua forma, os raios de luz se espalham na retina, em vez de atingirem apenas um ponto focal. “Como resultado, a imagem fica embaçada e distorcida, tanto para perto quanto para longe. Adicionalmente, é importante dizer que muitas crianças desenvolvem o chamado astigmatismo miópico, ou seja, a criança apresenta tanto a miopia como o astigmatismo”, complementa a especialista.
Miopia e astigmatismo: uma dupla nada perfeita!
Normalmente, o astigmatismo aparece acompanhado de outros erros refrativos. Isso quer dizer que a criança pode ter miopia e astigmatismo, ou astigmatismo e hipermetropia, por exemplo.
“Como a miopia e o astigmatismo causam dificuldade para ver de longe, muitas pessoas podem nem imaginar que possuem os dois erros refrativos. Além disso, quando há um atraso muito grande no diagnóstico do astigmatismo, há um aumento no risco de desenvolver a miopia”, alerta Dra. Marcela.
Existem sinais do astigmatismo em crianças?
Infelizmente, o diagnóstico do astigmatismo não costuma ser muito precoce, na maioria dos casos. Isso porque as crianças não possuem um parâmetro para comparar se estão enxergando bem ou mal. Para além disso, bebês e crianças que ainda não desenvolveram a linguagem também não têm como expressarem ou se queixarem a respeito de dificuldades na visão.
Em contrapartida, existem alguns sinais que podem indicar a presença do astigmatismo ou até mesmo de outros erros refrativos no público infantil. Veja abaixo:
Há alguns sinais que podem sugerir que a presença desses erros refrativos como:
- Quedas e tropeços frequentes;
- Dificuldades para praticar esportes;
- Atrasos motores;
- Aperto dos olhos, como se estivesse se esforçando para enxergar;
- Dificuldades escolares, principalmente para ler, escrever, recortar, pintar
- Para crianças que já desenvolveram a fala, fique atento a queixas sobre dores de cabeça e nos olhos, especialmente no final do dia;
- Necessidade de ficar muito perto da TV ou das telas para enxergar.
Astigmatismo em crianças – Diagnóstico e Tratamento
Assim como na miopia, os casos de astigmatismo podem ter relação com a genética. Ou seja, filhos de pais com astigmatismo têm maior chance de desenvolver a condição. De qualquer maneira, é imprescindível levar o bebê em seu primeiro ano de vida para uma consulta oftalmológica de rotina. Acima de tudo, é importante esclarecer que é possível identificar erros refrativos em bebês e crianças que ainda não falam.
“Entretanto, o mais comum é diagnosticar o astigmatismo na idade pré-escolar, quando a criança começa a apresentar problemas de aprendizagem ou outras dificuldades nos estudos. É nessa fase também que a criança consegue expressar dificuldades para enxergar”, diz Dra. Marcela.
“O tratamento do astigmatismo é simples, feito com o uso de óculos. Porém, como as crianças crescem, o formato da córnea pode mudar e alterar o grau, para mais ou para menos. Dessa forma, a partir do diagnóstico, é preciso realizar um acompanhamento regular com um oftalmologista infantil”, finaliza a especialista.
Leia aqui sobre como funciona o exame de vista em crianças.
Dra. Marcela Barreira é oftalmopediatra, especialista em estrabismo e neuroftalmologista.
O consultório fica na Vila Nova Conceição, zona sul da cidade de São Paulo.
Para mais informações, ligue para 11 3846 0200
Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
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